A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) lançou o programa “desTarifaço”, voltado a apoiar indústrias exportadoras e trabalhadores atingidos pelas novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos. A iniciativa oferece consultorias, capacitações, suporte ao acesso a crédito, apoio jurídico e outros serviços por meio do Senai, Sesi e Instituto Euvaldo Lodi (IEL).
Segundo o presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, o impacto das tarifas não atinge todas as empresas da mesma forma. “Em alguns casos, pequenas e médias indústrias têm mais de 90% do faturamento comprometido. É fundamental apoiar essas empresas e seus trabalhadores”, afirmou, criticando que a crise tem origem política, não industrial.
Um estudo da Fiesc indica que os efeitos econômicos são mais intensos em municípios de pequeno e médio porte do Planalto Norte, incluindo São Bento do Sul, Rio Negrinho e Campo Alegre, e que é importante evitar problemas sociais nessas regiões. No âmbito do “desTarifaço”, as indústrias recebem apoio na busca por crédito, incentivos governamentais, consultoria para abertura de novos mercados e adequação de produtos e linhas de produção. O programa ainda auxilia na obtenção de bolsistas para projetos de reposicionamento e oferece consultoria jurídica trabalhista e sindical.
Para os trabalhadores, a iniciativa disponibiliza capacitação para funcionários temporariamente inativos, recapacitação de demitidos com foco em setores com demanda de mão de obra e apoio psicossocial para reinserção no mercado de trabalho. Durante o lançamento do programa, cerca de 130 representantes do setor industrial catarinense participaram de um encontro para debater as medidas, que incluem também a liberação de créditos de ICMS para empresas atingidas, conforme anunciado pelo governo estadual com apoio da Fiesc.
Desde o anúncio das tarifas pelos EUA, em abril, a Fiesc tem atuado em diversas frentes, como pesquisas junto às indústrias, análises técnicas, diálogo com sindicatos, colaboração com o governo estadual e reuniões com autoridades federais e representantes americanos. Representantes da entidade participarão ainda de missão empresarial em Washington, organizada pela CNI, para tratar de medidas relacionadas ao setor de madeira e móveis e da chamada “Seção 232”.
O impacto das tarifas sobre o emprego já começa a aparecer nos números do Caged. O setor de madeira e móveis perdeu 581 vagas em julho, embora a indústria catarinense tenha fechado o mês com saldo positivo de 1 mil vagas. No acumulado de 2025, o setor industrial criou 43 mil empregos, de um total de 83 mil no Estado. Em São Bento do Sul, a indústria ainda não registrou impactos negativos, com mais admissões do que demissões em julho. Já Rio Negrinho e Campo Alegre apresentaram perda de vagas industriais no mesmo período.
Para mais informações sobre o programa e os serviços oferecidos, é possível acessar destarifaco.fiesc.com.br





