A assinatura do Acordo Interino de Comércio Mercosul-União Europeia, ocorrida no fim de semana, é considerada um passo estratégico para fortalecer a inserção internacional do Brasil e ampliar as oportunidades da indústria catarinense. O acordo, negociado por mais de 26 anos, envolve 720 milhões de pessoas e promete ampliar a presença do país em um dos maiores mercados consumidores do mundo.
Em 2025, a União Europeia superou a China como destino das exportações de Santa Catarina. Segundo a Federação das Indústrias de SC (FIESC), as vendas do estado para o bloco europeu somaram US$ 1,35 bilhão, 10,66% a mais que em 2024, representando 11,1% das exportações catarinenses. Para Gilberto Seleme, presidente da FIESC, o momento é estratégico diante das mudanças geopolíticas que reconfiguram cadeias produtivas globais. “Acordos como esse ajudam a diversificar os destinos de exportações e reduzir impactos de alterações repentinas nas relações comerciais”, afirma.
Santa Catarina, destaca Seleme, possui relevância econômica e geopolítica para o Mercosul, com infraestrutura portuária, posição estratégica e hubs logísticos, industriais e turísticos que favorecem parcerias e intercâmbio tecnológico.
O Acordo de Parceria União Europeia-Mercosul é o mais moderno negociado pelo bloco, abrangendo não apenas comércio de bens e serviços, mas também áreas como defesa, tecnologia, direitos humanos, relações trabalhistas, sustentabilidade e mudanças climáticas. Por sua complexidade, a União Europeia optou por aprovar primeiro o chamado Acordo Interino de Comércio, que trata da redução gradual de tarifas, cotas, regras de origem, normas regulatórias e de investimentos.
A ratificação do acordo interino dependerá de aprovação por maioria simples no Parlamento Europeu e nos Congressos dos países do Mercosul, sendo que, futuramente, ele será integrado ao Acordo de Parceria completo quando este for totalmente aprovado.



