Empresários de São Bento do Sul participam de reunião com vice-presidente sobre tarifas dos EUA

Empresários de São Bento do Sul se reuniram em Brasília com autoridades para discutir os impactos das tarifas de importação dos EUA sobre o setor moveleiro
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• Atualizado 1 meses atrás.

Empresário são-bentenses participaram do encontro promovido pela Abimóvel com o governo federal (Foto: Divulgação)

Empresários do setor moveleiro de São Bento do Sul participaram, na última quarta-feira (10), de uma série de reuniões em Brasília para tratar das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A agenda integrou uma mobilização liderada pela Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), voltada à defesa comercial e ao alinhamento de estratégias para a reversão da taxação de 40%, que pode chegar a 50% sobre grande parte do mobiliário nacional.

Representando o município, estiveram presentes os empresários Daniel Lutz (Móveis Serraltense), Anor Katzer (Móveis Katzer) e Arnaldo Huebl (Móveis Weihermann), além do vice-presidente regional da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc). A medida adotada pelo governo norte-americano tem gerado preocupação no setor, ao colocar em risco a produção, os investimentos e a manutenção de empregos, com impactos sociais e econômicos diretos.

A comitiva participou de audiências com o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin; com a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres; e com o embaixador Philip Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Os encontros também contaram com a presença de Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e fundador da BMJ Consultores Associados, e de Josemar Franco Pessoa, consultor da BMJ, que atuam na defesa dos interesses do setor junto aos governos brasileiro e americano.

Durante as audiências, foram apresentados dados que dimensionam os efeitos da barreira tarifária sobre a cadeia produtiva do mobiliário, especialmente em relação à competitividade do produto brasileiro em seu principal mercado importador, os Estados Unidos. O objetivo central das reuniões foi buscar a preservação da capacidade produtiva instalada no país, a manutenção dos empregos e a estabilidade das exportações.

“O setor moveleiro integra uma das cadeias produtivas mais capilarizadas do Brasil, distribuída entre milhares de empresas, com forte impacto socioeconômico em diferentes regiões do país”, destacou o presidente da Abimóvel, Irineu Munhoz. Segundo ele, o segmento emprega cerca de 1,1 milhão de trabalhadores de forma direta e indireta, movimentando fornecedores de base florestal, química, ferragens, têxteis, máquinas e logística, além de impulsionar áreas como arquitetura, design e construção civil. Munhoz ressaltou ainda a importância da previsibilidade e da estabilidade nas condições de exportação para a manutenção da atividade e o estímulo à inovação.

Os empresários de São Bento do Sul também relataram, de forma detalhada, os impactos já observados em suas indústrias, tanto no processo produtivo quanto na manutenção dos postos de trabalho. Segundo eles, os reflexos atingem não apenas as empresas exportadoras, mas também as economias locais e regionais, com risco crescente de retração econômica e aumento do desemprego, que já alcança cerca de 9 mil desligamentos no setor.

A diretora-executiva da Abimóvel, Cândida Cervieri, destacou que a articulação entre o setor privado e o poder público é fundamental neste momento. Segundo ela, o diálogo com o vice-presidente da República, que também responde pelo MDIC, e com o Itamaraty demonstra que a defesa do móvel brasileiro é uma pauta de relevância econômica e social. “Apresentamos às autoridades a realidade das nossas indústrias, que operam com elevados padrões de qualidade, design, normalização técnica e gestão sustentável. Esses elementos são essenciais para subsidiar as negociações bilaterais com os Estados Unidos”, afirmou.

Tarifas do México
Outro ponto de preocupação apresentado pela Abimóvel é o aumento das tarifas de importação que deverá ser adotado pelo México sobre produtos brasileiros e de outros oito países. O Senado mexicano aprovou, na quarta-feira (10), um reajuste que pode elevar as taxas para até 50%, especialmente para determinados itens, com média de 35% para setores que não possuem acordo de livre comércio com o país.

A medida, que ainda depende de sanção da presidente mexicana Claudia Sheinbaum, tem previsão de entrar em vigor em 1º de janeiro de 2026. Além do Brasil, também serão afetados países como China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, Rússia, Tailândia, Turquia e Taiwan. Para o setor moveleiro, a faixa de impostos, que atualmente varia entre 0% e 35%, passará a ficar entre 25% e 35%, ampliando os desafios para a indústria nacional no mercado internacional.

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