EDITORIAL: Objetivo do Plano 1000 é pensar no futuro e em infraestrutura

Por:

• Atualizado 4 anos atrás.

É grande a polêmica em São Bento do Sul por conta das obras previstas na primeira fase do Plano 1000, criado pelo governo estadual, para o município. Em especial, no que diz respeito à duplicação e revitalização da Avenida dos Imigrantes, com custo estimado em R$ 19 milhões. O que se houve e se fala por aí é que existem outras prioridades, que há coisas mais importantes a serem feitas, etc. Sempre nesta mesma linha.

Perfeito, é isso mesmo. Há coisas mais importantes, sim. No entanto, quando se fala em obras públicas o funcionamento da máquina é um pouco diferente. Nestas situações, prefeituras somente podem solicitar recursos para obras quando existem os projetos prontos. Se algum prefeito, de São Bento ou qualquer outra cidade, simplesmente tem uma ideia na cabeça, isso vale absolutamente nada na captação de recursos.

Então, quando o governo anunciou o Plano 1000, muitos prefeitos correram procurar nas gavetas o que existia de projetos que pudessem se enquadrar nos critérios do governo. Talvez o maior erro tenha sido a falta de um comunicado prévio aos prefeitos de Santa Catarina para que pudessem se preparar com os projetos. Foram todos pegos de surpresa e, no caso de São Bento do Sul, entre os poucos projetos existentes, havia esse da Imigrantes meio “engatilhado”.

Agora, nesta altura do campeonato, não há sentido lógico em simplesmente dizer para o governo: “Guarde teus R$ 19 milhões que não vamos querer”. Quem em sã consciência faria algo assim? Absolutamente ninguém! Portanto, temos, sim, que nos agarrar a este projeto e aos recursos para a obra. Sobre não ser necessária, isso aí é muito subjetivo. Afinal, pode não ser hoje, mas e daqui a cinco anos? Logo começam os problemas na via e os mesmos que hoje reclamam das prioridades serem outras, lá no futuro estariam reclamando da lentidão no trânsito no local.

Muito também se comentou sobre a falta de possibilidade de utilizar esses recursos prometidos pelo governo para realizar obras menores, de pavimentação. Pelo Plano 1000, isso não é possível. Objetivo do governo é pensar no futuro e em infraestrutura que beneficie o máximo de pessoas possível. Como é o caso da Imigrantes e também da Rua Antonio Kaesemodel, que vai entrar no mesmo pacote. São vias importantes de acesso ao município.

Quanto às ruas menores, o grande problema de São Bento do Sul foi feito no passado, quando antigos gestores municipais simplesmente permitiram que fossem abertos loteamentos aos montes na cidade sem obrigar que as ruas fossem pavimentadas. Hoje está aí grande parte da reclamação e por isso a cidade vive com esse aspecto de velha. Afinal, não existem recursos suficientes capazes de garantir obras de pavimentação nos bairros e ao mesmo tempo para fazer a manutenção em tudo que precisa. Em muitos lugares do município, o asfalto gastou, apresenta problemas e precisa ser refeito.

Felizmente esse erro histórico da falta de asfalto nos loteamentos foi corrigido há alguns anos, na gestão do ex-prefeito Fernando Tureck (MDB). Hoje, quem for abrir loteamento terá que asfaltar todas as ruas, senão não consegue a liberação para comercializar os lotes. É um ganho tremendo para a cidade, mas veio muito tarde. Talvez com uns 20 anos de atraso. E para recuperar estes 20 anos, serão necessários pelo menos mais 100. Muitos dos que moram há anos em ruas sem pavimentação podem ter certeza de que vão morrer velhos daqui a décadas sem ver um asfalto na frente.

Ainda no campo da infraestrutura, temos grandes gargalos sendo formados e precisam de ação rápida dos governantes. Exemplo clássico disso é a Avenida São Bento. A Prefeitura já prepara um projeto para duplicação de parte e construção de terceiras pistas para tentar aliviar o fluxo. A via também apresenta outra singularidade, que são as diversas ruas transversais, com entrada e saída de veículos continuamente. Reflexo disso hoje em dia é que muitos motoristas precisam aguardar vários minutos para conseguir acessar a via caso precisem cruzar uma das faixas. Se for entrar no sentido do fluxo, até consegue com mais facilidade.

E o trânsito na Avenida São Bento vai se intensificar ainda mais a partir dos próximos meses e anos. Alguns prédios estão prontos nas vias laterais ou em obras, como o existente em frente ao Fórum. Próximo dali começam a ser erguidas três torres comerciais com 80 salas e outros atrativos mais. Há ainda outros galpões comerciais sendo construídos ali perto. Obras que em quatro ou cinco anos estarão todas prontas.

Ou começa-se a pensar e agir desde agora, ou daqui a pouco o local vai ficar intransitável. Já não seria a hora de pensar também na criação do binário envolvendo a Avenida São Bento e a Rua Antonio Kaesemodel? São Bento do Sul está crescendo e logo chega aos 100 mil habitantes e ações importantes e de relevância precisam ser feitas, mesmo que venham os especialistas de rede social reclamar. Aliás, o que se faz nas redes sociais hoje em dia senão reclamar? É preciso pensar e agir no mundo real, nas ações que impactem o cotidiano.

  • YouTube: Inscreva-se para assistir as matérias de A Gazeta.

Confira mais notícias no jornal impresso. Assine A Gazeta agora mesmo pelo WhatsApp (47) 99727-0414. Custa menos que um cafezinho por dia! ☕

Últimas notícias

WhatsApp Image 2026-05-19 at 10.58
WhatsApp Image 2026-05-20 at 12.54
WhatsApp Image 2026-05-20 at 12.26
NOVA FOTO
Ginástica artística

Mais lidas

WhatsApp Image 2026-05-19 at 17.55
JESSICA UPA - Zuciane Peres (2)
corpo de bombeiros
Corpo-de-bombeiros-10
WhatsApp Image 2026-05-18 at 17.52

Notícias relacionadas