Editorial de A Gazeta se posiciona a favor de voto em candidatos da região

Editorial foi publicado na edição impressa deste sábado (8)
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• Atualizado 1 meses atrás.

Antonio Tomazini e Silvio Dreveck são candidatos pela região (Foto: Divulgação)

A política tem dessas ironias que o tempo adora ressaltar. Em São Bento do Sul, duas trajetórias que por muito tempo caminharam em paralelo voltam a se encontrar, desta vez mirando a Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Silvio Dreveck (PP) e Antonio Tomazini (PL), os únicos prefeitos reeleitos da história do município, representam duas faces de uma mesma moeda: experiência e continuidade. Ambos já provaram nas urnas que sabem dialogar com o eleitor e conduzir o município, cada um à sua maneira, e agora se lançam em uma disputa que, embora possa parecer uma divisão, pode também se transformar em oportunidade. O curioso é que, em um cenário político cada vez mais fragmentado, a disputa entre duas figuras locais de peso pode ser o combustível necessário para reacender o debate sobre representatividade regional.

Silvio Dreveck carrega uma biografia marcada pela longevidade política. Foi vereador, secretário de Saúde, deputado estadual por três mandatos, líder de governo na Alesc e, num feito inédito para o Planalto Norte, chegou à presidência da Assembleia Legislativa. Hoje, como secretário estadual da Indústria, Comércio e Serviços, mantém trânsito fácil entre empresários e lideranças de todo o estado, consolidando-se como uma das vozes mais respeitadas da região. Seu nome é associado à estabilidade e à capacidade de articulação, duas qualidades que o tornam competitivo em qualquer disputa.

Já Antonio Tomazini representa uma geração de políticos que mesclam gestão pública com proximidade comunitária. Médico, ex-vereador, ex-presidente da Câmara e agora prefeito reeleito, ele construiu sua imagem sobre a eficiência administrativa e o diálogo com a população. Mesmo tendo enfrentado derrotas em disputas anteriores, Tomazini chega fortalecido pela boa avaliação de sua gestão e pela confiança de uma base sólida que enxerga nele uma liderança de futuro.

A presença dos dois na disputa, é claro, acende o debate sobre a fragmentação do voto regional. A matemática política parece simples: dois candidatos fortes da mesma cidade tendem a dividir o eleitorado local e, com isso, facilitar o caminho para nomes de fora. No entanto, a política raramente se resume à lógica fria dos números. Quando há mobilização e consciência coletiva, o cenário pode mudar de forma significativa. O Planalto Norte, historicamente, sofre com a falta de representação em Florianópolis, uma ausência que se reflete em obras adiadas, investimentos escassos e pouca voz nas decisões estaduais. Enquanto outras regiões do estado atuam de maneira coordenada, defendendo seus interesses com firmeza, São Bento e seus vizinhos muitas vezes se perdem em disputas internas e personalismos que acabam beneficiando apenas quem vem de fora.


Esse é o ponto central que precisa ser enfrentado: ou a região aprende a jogar o jogo político em conjunto, ou continuará assistindo de camarote às conquistas alheias. Entidades de classe, associações empresariais e lideranças comunitárias têm papel decisivo nesse processo. É preciso abandonar a confortável neutralidade do “deixar como está” e assumir o compromisso de incentivar o voto regional. Não se trata de partidarismo, mas de estratégia. Nenhuma região se desenvolve plenamente sem representantes fortes na capital. E, não adianta reclamar da ausência de investimentos se o próprio eleitorado insiste em entregar seus votos a candidatos que só lembram da região em época de eleição.

O exemplo vem de todas as partes do estado: o Oeste, o Sul e o Vale do Itajaí sabem agir com unidade. Quando se trata de defender uma obra ou um projeto regional, suas lideranças se unem, independentemente de partido. Já o Planalto Norte, por algum motivo que beira o masoquismo político, insiste em cultivar a divisão. A consequência é a invisibilidade. Não há quem brigue pelas demandas locais, quem pressione o governo, quem articule recursos. E sem pressão política, as oportunidades simplesmente passam, como trens que não param mais na estação.

Dreveck e Tomazini têm trajetórias diferentes, mas compartilham algo essencial: ambos conhecem profundamente São Bento do Sul e suas carências. Sabem onde o calo aperta, conhecem as demandas da indústria, os gargalos da infraestrutura, as dificuldades da saúde pública e os desafios do desenvolvimento regional. São lideranças que já provaram capacidade de gestão e poderiam, em conjunto, reposicionar o município e o Planalto Norte no mapa político de Santa Catarina. Mas, para isso, precisam mais do que votos, precisam de um pacto regional que supere vaidades e compreenda que representatividade não se conquista apenas com carisma, mas com união.

Em 2026, alguém será eleito, disso não há dúvida. A questão é: queremos continuar votando em candidatos de fora que só conhecem São Bento pelo mapa e só chegam aqui usando GPS, ou finalmente vamos escolher quem vive e sente essa cidade todos os dias? A resposta, mais do que política, é um teste de maturidade coletiva. Porque, no fim das contas, o futuro do Planalto Norte não se define em Florianópolis, mas nas urnas daqui. E talvez esteja na hora de a região parar de pedir atenção e começar a exigir presença.

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