Doação de órgãos: mitos e verdades explicados por especialista de São Bento

Coordenadora do hospital tira dúvidas sobre o ato que pode salvar até oito vidas

• Atualizado 3 meses atrás.

Doris Pykosz explica sobre como funciona a doação de órgãos (Foto: Zuciane Peres / A Gazeta)

O mês de setembro ficou conhecido como Setembro Verde, dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos no Brasil. Inclusive, recentemente, o jornal A Gazeta contou a história de Jonas Luis Meros, que, após 1 ano e 2 meses na fila de transplante, conseguiu o fígado que tanto precisava.

Mas nem todos ganham uma segunda chance de vida. Há pacientes que ficam meses ou anos na fila por um transplante ou, infelizmente, não conseguem receber o órgão a tempo. Segundo dados do Ministério da Saúde, atualmente, no Brasil, há 80 mil pessoas aguardando pelo ‘sim’ da família de um doador. Porém, 45% das famílias ainda se recusam a autorizar a doação.

Conforme Doris Pykosz, coordenadora da Comissão de Transplantes do Hospital Sagrada Família, muitas vezes essas famílias desconhecem a vontade do ente querido ou têm receios sobre o procedimento, desde a desconfiança em relação à assistência médica até a falta de compreensão do diagnóstico de morte encefálica. “Por isso que a gente sempre diz assim, a vontade é sua, mas a decisão é deles. A gente sempre fala esta frase, porque você precisa falar da sua vontade para a família”, informa.

Algumas pessoas acreditam, erroneamente, que o corpo do doador ficaria “deformado”, o que é um mito. Após a retirada dos órgãos, a equipe médica recompõe o corpo, sendo visíveis apenas os pontos do local operado, sem impedir a realização do velório. No caso da doação de tecidos oculares, utiliza-se uma prótese ou outro material, como gaze, para substituir o globo ocular.

Quem pode doar?
Segundo Doris, podem doar órgãos pessoas que sofreram morte encefálica ou parada cardiorrespiratória. No caso da morte encefálica, o processo é mais demorado, podendo levar até três dias para ser concluído, envolvendo uma série de exames neurológicos, tomografias e avaliações médicas. Três profissionais precisam confirmar o diagnóstico antes que a família seja informada sobre a possibilidade de doação.

Com a autorização familiar, é possível doar coração, pulmões, fígado, pâncreas, rins, córneas, vasos, pele, ossos e tendões. “Podem ser doados múltiplos órgãos, pode estar salvando até oito vidas”, explica.

Na morte encefálica, o cérebro de uma pessoa para de funcionar completamente e irreversivelmente. Isso significa que o cérebro não estará mais enviando sinais para o resto do corpo e as funções vitais, como a respiração, a circulação sanguínea e a temperatura corporal não podem ser mantidas sem apoio médico, através de aparelhos. As principais causas incluem traumatismos cranianos graves, acidentes vasculares cerebrais (AVC), hemorragias cerebrais ou outras lesões neurológicas irreversíveis.

Já no caso de parada cardiorrespiratória (coração parado), apenas tecidos podem ser doados, como córneas, vasos, pele, ossos e tendões. Em ambos os casos, a doação depende da autorização da família, ou seja, não adianta que a pessoa tenha manifestado sua vontade; sem o consentimento familiar, a retirada dos órgãos não pode ser realizada. Por isso, a coordenadora reforça que comunicar claramente à família o desejo de ser doador é fundamental para que a doação aconteça.

Em algumas situações, a doação de órgãos ou tecidos pode ocorrer com o doador ainda em vida. Entre os exemplos estão a doação de um rim, parte do fígado, parte do pulmão ou da medula óssea. Nesse caso, o procedimento é realizado apenas quando não prejudica a saúde do doador e, geralmente, ocorre entre familiares, respeitando critérios de compatibilidade e avaliação médica rigorosa.

Quem não pode doar?
Existem contraindicações para a doação de órgãos. Por exemplo, ela não é indicada para pessoas com insuficiência renal grave, problemas no fígado ou no coração, já que nesses casos há grande comprometimento da circulação e do funcionamento desses órgãos.

Além disso, pessoas com histórico de sepse, câncer com metástase ou doenças infecciosas e transmissíveis, como HIV, hepatite B e C ou doença de Chagas, também não podem doar. Do mesmo modo, não poderão ser doadoras as pessoas que não possuam documentação ou menores de 18 anos sem a autorização dos responsáveis.

Para onde vai o orgão?
Já para onde vai os órgãos, existe a lista de espera. Como mencionado no início da reportagem, mais de 80 mil pessoas hoje no Brasil estão no aguardo. A posição na lista é definida por critérios técnicos, como tempo de espera, urgência do procedimento e compatibilidade sanguínea entre doador e receptor. A compatibilidade genética entre doador e receptores, quando necessário, é determinada por exames laboratoriais.

Para alguns tipos de transplantes é exigida ainda a compatibilidade antropométrica (combinação de medidas como peso, altura e circunferências). “Outro mito que escuto é daqueles que falam que dá para escolher para quem vai o órgão captado. Igual a história do Faustão, que ele foi beneficiado. Mas, na verdade, ele não foi. Tem uma fila muito pequena para coração, graças a Deus. Naquele ocorrido do Faustão, tinham dois pacientes aguardando, ele e mais um, só que o paciente que teve morte encefálica, o coração era do tamanho que caberia no Faustão, não no outro paciente. Tem isso também, você precisa ter a cavidade torácica para receber aquele órgão”, diz.

Cabe à central estadual de transplantes, por meio do sistema informatizado, gerar a lista de receptores compatíveis com o doador em questão. Antes do transplante, diversos exames são realizados para verificar a compatibilidade entre doador e receptor, aumentando as chances de cirurgias bem-sucedidas.

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