Com o inverno chegando, é cada vez mais comum ver as pessoas tomando chimarrão. Além de ser uma bebida tradicional, a produção erva-mate faz parte da vida de muitas pessoas e passa por vários processos até chegar na prateleira do mercado.
Desde criança, Ricardo Wohl (foto abaixo) acompanhava o pai e o avô nos cultivos de erva-mate. A partir de lá, aprendeu como cuidar da planta, e hoje, com 46 anos, ainda cultiva nas propriedades, fazendo a roçada e a poda nas árvores quando necessário, para que elas brotem melhor. Mas, já percebeu muitos avanços no decorrer dos anos. “Naquela época, tudo era um pouco mais difícil na agricultura”, comenta, ressaltando que antigamente não tinham muitas informações sobre a maneira adequada de cuidar da planta.
Por mais que ela seja nativa, ou seja, encontrada nas florestas, ela dependia de uma atenção. “Em termos de assistência melhorou muito. Hoje a gente vê que pode se produzir mais fazendo a manutenção dela”, explica.
Para ele, também é algo nostálgico cuidar das plantas. Ricardo expõe que, por mais que tenha auxílio da Cooperativa Tupan, já que é associado, ele procura fazer a poda das árvores, pois é algo que aprendeu quando pequeno. “É um gosto que a gente tem por aquilo e, quando possível, conseguir trabalhar daquele jeitinho que a gente aprendeu lá de criança, é algo diferente”, complementa.
O proprietário cuida das árvores nativas e plantadas até a colheita. Depois de colhida, a erva-mate vai para a cooperativa, e o primeiro processo é pesar os feches, que são abertos no galpão. O passo seguinte é colocar numa esteira, que vai levando para um primeiro picador, e lá, a planta é macerada. É nessa fase que acontece uma primeira amassada nas folhas e nos galhos. Então ela passa para o sapecador, para dar uma murchada na folha, e cai em um cilindro que leva para outro forno, o de secagem.
A erva já seca vai para outro picador, que leva para o armazenamento, e só então vai ser produzida a erva de chimarrão. “Depende a erva que vai ser feita, é um tipo de processo dentro do galpão de armazenamento, onde daí se processa, faz a moagem da erva, para embalagem e venda final”, comenta Pedro Fagundes, da Cooperativa Tupan.
Por mais que Ricardo tenha o foco na apicultura, ele não deixou de lado o cultivo da erva-mate. “Pretendo preservar isso aqui para que se prolongue por muitos anos para as próximas gerações da nossa família. Sempre deixar um pouco do nosso legado é legal”, finaliza.
Lembranças
Quando tem visita, o casal Lourdes Dreveck da Maia e José Luci da Maia (foto abaixo) já vai esquentando a água, preparando o chimarrão e sentando na varanda. Mas, há 50 anos, em Campo Alegre, os dois estavam colhendo e preparando a erva-mate, e ainda lembram com carinho daquela época.
O pai de Lourdes colhia erva-mate, e para ela, era a maior alegria estar nos matos puxando a planta. Ela lembra que durante o dia, eles iam em família cortar a erva, e à noite, os vizinhos ajudavam a quebrar. E, antigamente, o processo era um pouco diferente. “De dia nós arrumamos tudo, colhíamos, puxávamos e fazíamos uns estaleiros grandes e erva”, fala. “Também era feita uma prensa no chão, para arrumar a erva sapecada”, complementa.
Quando as prensas estavam cheias, eram feitos os feixes. “Só no dia seguinte vinha o caminhão ou a carroça para levar os feixes no carijo”, relembra. O carijo é uma estrutura tradicional utilizada para a secagem da erva-mate. O casal ainda explica que era tipo uma estufa, com o assoalho furadinho.
Então era posto fogo no cano, que ia secando a erva. “Lembro que tinha uma estrutura redonda, bem grande, que ia amassando aquela erva. E era puxado por um cavalo, que fazia tudo sozinho, pois já era bem treinado”, explica Lourdes. Só depois de tudo pronto, a erva ia para a cooperativa ser empacotada e vendida.
Hoje em dia a relação deles com a planta é só com o chimarrão, mas na propriedade ainda é possível ver algumas árvores de erva-mate. “Além do chimarrão, tem o chá de erva. A gente pode usar essa erva sendo mais graúda, aqueles pauzinhos, que caem na peneira, usar para fazer o chá. É muito gostoso, é mais gostoso do que você comprar o chá artificial”, expõe José.
Confira a reportagem em vídeo:
- WhatsApp: Participe do grupo fechado de A Gazeta.
- YouTube: Inscreva-se para assistir as matérias de A Gazeta.
Confira mais notícias no jornal impresso. Assine A Gazeta agora mesmo pelo WhatsApp (47) 99727-0414. Custa menos que um cafezinho por dia! ☕