O Planalto Norte catarinense reúne uma das maiores economias de Santa Catarina, mas enfrenta desafios que podem comprometer seu desenvolvimento nos próximos anos. O diagnóstico foi apresentado pelo vice-presidente regional do Planalto Norte da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), Reinaldo de Lima Jr., durante o evento Voz Única, realizado em Mafra, que reuniu candidatos a deputado estadual e federal para apresentar as principais demandas da região.
Segundo os dados apresentados, o Planalto Norte possui uma população estimada de 386,2 mil habitantes, equivalente a 5% da população catarinense. Apesar disso, o crescimento populacional foi de apenas 3% na última década, muito abaixo da média estadual, que chegou a 20%. Para Reinaldo, esse cenário ajuda a explicar uma das principais dificuldades enfrentadas pelas empresas da região.
Mesmo com o avanço populacional reduzido, a economia regional manteve desempenho próximo ao restante do Estado. O Produto Interno Bruto (PIB) do Planalto Norte é estimado em R$ 21,6 bilhões, alta de 40% nos últimos dez anos, enquanto Santa Catarina cresceu 46% no mesmo período. “O crescimento quase na média do Estado demonstra o potencial que o Planalto Norte possui. Temos muitos pontos positivos e capacidade para evoluir ainda mais”, destacou.
Arrecadação e retorno
Outro dado que chamou a atenção durante a apresentação foi a diferença entre o volume de impostos federais arrecadados na região e os recursos que retornam aos municípios. Segundo o levantamento, o Planalto Norte gera cerca de R$ 2,4 bilhões em tributos federais por ano, mas recebe aproximadamente R$ 700 milhões em transferências da União.
O Planalto Norte possui atualmente 94.834 empregos formais, crescimento de 11% entre 2020 e 2025, percentual inferior aos 23% registrados em Santa Catarina. Segundo Reinaldo, parte dessa diferença é explicada pela forte presença do agronegócio, setor que ainda concentra elevados índices de informalidade.
Já o empreendedorismo apresentou forte expansão. A região conta com 48.734 CNPJs ativos e registrou crescimento de 870% no número de Microempreendedores Individuais (MEIs) desde 2015.
O levantamento também evidencia a importância do agronegócio para a economia regional. O setor movimenta R$ 8,6 bilhões, emprega cerca de 94 mil trabalhadores e responde por mais de 70% do comércio exterior do Planalto Norte.
A região ocupa a liderança estadual na produção de móveis. No comércio exterior, considerando todos os setores da economia, as exportações alcançaram US$ 848,1 milhões, com destaque para móveis, papel kraft e madeira compensada.
Rodovias preocupam
A infraestrutura apareceu entre os principais desafios apontados durante o encontro. A BR-280, considerada uma das principais ligações entre o Planalto Norte e o litoral, possui avaliação geral classificada como regular, principalmente em razão das condições do pavimento e da geometria da pista. Os números de acidentes também preocupam. Apenas em 2025, o trecho regional da rodovia registrou 113 mortes e 963 feridos. A BR-116 apresenta melhores condições estruturais, mas também registra índices elevados de acidentes, especialmente de feridos graves.
Saúde, segurança e qualidade de vida
Os indicadores sociais também acenderam um alerta. O Índice de Progresso Social (IPS) do Planalto Norte está entre os menores de Santa Catarina. Enquanto São Bento do Sul ocupa a 21ª colocação estadual e Rio Negrinho aparece na 52ª posição, Monte Castelo e Papanduva figuram entre os municípios com os piores indicadores do Estado.
Na saúde, a região possui o segundo maior índice catarinense de mortalidade por condições que poderiam ser evitadas pela atenção primária, com 170 óbitos e 1.109 internações a cada 100 mil habitantes. Na segurança pública, a quantidade de vítimas de violência cresceu 51% na última década, índice muito superior ao crescimento estadual, que foi de 12%.
Seis prioridades
Durante o evento, a Facisc entregou aos candidatos um documento contendo as seis prioridades definidas pelas associações empresariais do Planalto Norte. Entre elas estão a implantação de terceiras faixas e melhorias na BR-280, a ampliação da capacidade da SC-418, investimentos em energia elétrica, expansão da cobertura de internet, implantação de hospital infantil com UTI neonatal regional e fortalecimento da educação técnica voltada às vocações econômicas da região.





