Ao retornar ao Legislativo após atuar na Secretaria de Obras, o vereador Luiz Neri Pereira (PL), o Magrão, utilizou seu tempo de tribuna na sessão desta terça-feira (7) para manifestar profunda preocupação com a atual imagem da Câmara de Vereadores em São Bento do Sul. O parlamentar relatou que, nos “quatro cantos” do município, o sentimento da população em relação aos trabalhos da Casa não tem sido favorável, o que, em sua visão, exige um movimento imediato de reorganização e diálogo para evitar o agravamento da crise institucional.
Magrão pontuou que a decisão de abrir o processo de investigação contra a presidência, aprovada por unanimidade, segue o rito de transparência da Casa, comparando a situação ao procedimento enfrentado por outro parlamentar no ano passado.
No entanto, o vereador demonstrou forte inquietação com o que chamou de “terceirização” do papel de fiscalizador. Para ele, é preocupante quando denúncias partem de funcionários da Casa em vez dos próprios parlamentares, questionando a própria relevância do papel do vereador caso a função de fiscalizar e denunciar deixe de ser exercida diretamente pelos representantes eleitos.
Outro ponto destacado por Magrão foi o alerta sobre o possível uso de má-fé em representações encaminhadas ao Ministério Público. O vereador relatou que, durante sua passagem pelo Executivo, presenciou diversas denúncias sem fundamento técnico ou responsabilidade, muitas vezes ignorando o rigoroso trabalho realizado pelos setores de compras e pela procuradoria da Prefeitura, os quais ele elogiou pela qualidade técnica sob a gestão do prefeito Antonio Tomazini. “Quando a esmola é demais, o santo desconfia”, afirmou ao referir-se ao volume de denúncias diárias que, segundo ele, têm gerado desconfiança até mesmo entre os promotores de justiça.
O parlamentar encerrou sua fala fazendo um apelo para que o Legislativo retome seu propósito original de atendimento à comunidade e elaboração de leis, deixando de lado embates pessoais e individuais que têm dominado as sessões. Segundo Magrão, a notícia que circula “lá fora” sobre a Câmara não é positiva, e o foco dos dez vereadores deve permanecer no respeito ao povo e na fiscalização responsável, evitando que disputas políticas internas prejudiquem o andamento das demandas dos bairros da cidade.






