De fã a criador: rio-negrinhense integra canal que resgata clássicos da TV brasileira no YouTube

Rede Clone faz paródia da antiga programação da Globo

• Atualizado 1 meses atrás.

Uéverton Ribas, de Rio Negrinho, é um dos desenvolvedores do projeto (Foto: Divulgação)

Cada um de nós tem uma história com a televisão. Sejam os programas mais antigos, como do Chacrinha ou da Xuxa, seja com a programação atual, todos em algum momento ficamos presos à alguma novela ou notícia passada na telinha. Quando essa programação antiga é resgatada traz consigo uma nostalgia, principalmente para os mais velhos. E foi assim que nasceu a Rede Clone, um canal no Youtube feito por fãs da televisão brasileira para relembrar a época de ouro da principal mídia do país.

Um desses apaixonados pela história da TV é o rio-negrinhense Uéverton Ribas, entusiasta da Rede Clone. Ele conta que o projeto surgiu por conta do aumento de fãs da era vintage da TV. “Tem um público muito fã do vintage por conta da nostalgia, da época que a gente era criança, que brincava de bola, ia pra escola. Todo brasileiro tem uma passagem pela televisão, lembra do comercial da Bamerindus, por exemplo. O pessoal mais velho, sejam nós, nossos pais ou avós, tem uma influência da televisão”, conta.

A primeira fase da Rede Clone, segundo o rio-negrinhense, começou há cerca de 15 anos com o curitibano Renan Sanson. “Ele também é um fã da história da televisão brasileira. Ele fundou a Clone em meados de 2010 com propósito de postar trabalhos e essa paixão que ele tem da televisão. Era algo mais americanizado, ele fazia sátira da HBO, CBS e enfim”, disse.

Também apaixonado pelo tema, Ribas conta que conheceu a Clone no Youtube e começou a gostar do trabalho de Renan. “Eu gostava de assistir porque envolvia humor. Além de recriar alguns programas você recria algo da época, como as vinhetas. Sempre fui apaixonado por isso, eu cresci na frente da televisão”, cita.

Porém, pouco antes da pandemia, o paranaense queria parar de dedicar seu tempo ao projeto. Foi então que Ribas o convenceu de continuar, sendo convidado para fazer parte da ideia. “A Clone parou e no ano seguinte o Renan voltou e me chamou pra gente reativar. Entrei e fizemos o primeiro vídeo nós dois, de quando a Clone foi fundada. Exploramos bastante coisa do Youtube. Naquela época tudo o que tinha de material era encontrado no Youtube, era uma ‘lost midia’ da Globo”, explica.

De fã para fã
A entrada de Uéverton na Clone marcou também uma mudança no conteúdo do projeto, que passou a satirizar apenas produções da Rede Globo. “Começamos a ter mais visibilidade, é o pessoal mais antigo que adora esse material. Tipo Selva de Pedra, novela de 1972, tem a abertura completa no Youtube, mas não tem a novela. Então fomos parodiando essas coisas mais curtas e o negócio começou a ficar bacana”, frisou.

As vinhetas mais antigas, como da década de 1970, precisam ser recriadas do zero, apenas com imagens como base. “Eu trabalho com produção de vídeo há uns 18 anos e desde criança sempre fui apaixonado por vídeo. Hoje trabalho com digitalização de fitas e meio que entendo como os equipamentos funcionam. Eu adorava parodiar câmeras, montava um efeito no After Effects e fiquei um pouco conhecido no Youtube por fazer esse efeito de câmera antiga. Eu conseguia simular imagens da década de 70, pegava uma imagem de hoje e simulava como se fosse na década de 70. Foi através desse detalhe que o Renan me chamou pra equipe da Clone”, ressaltou.

A segunda fase da Clone foi quando um entusiasta com um longo acervo da Globo, do canal VAB (Video Archives Brasil), auxiliou os dois com materiais mais antigos. “Ele nos procurou com materiais até então raros e inéditos, o que chamou a atenção até de quem trabalha dentro da própria Rede Globo. A emissora teve dois incêndios. O Silvio Santos trabalhou na Globo e a Globo perdeu esses arquivos. Os arquivos que não se perderam são a partir de 1976, antes disso não tem quase nada”, comentou Ribas.

Materiais inéditos
Com esse contato direto, muito material inédito foi chegando até as mãos de Renan e Uéverton. “A Clone saiu do campo da satirização e entrou na nostalgia, porque não tem esse material na internet. Começamos a satirizar o que não existia no Youtube. O Fantástico se transformou no Bombástico, até por conta de direitos autorais. Esse fato de trocar o nome das pessoas e dos programas chamou atenção do público”, diz.

Para ele, a Rede Clone hoje é um aglomerado de fãs que adoram a história da televisão brasileira. “A gente fez também um especial da Rede Tupi, que batia de frente com a Globo. Temos o Jornal Informal, o Clone Esporte, Clone Rural, o Engorde Espetacular. É um trabalho feito com muito cuidado e muita atenção. A gente pega a vinheta, estuda como ela foi feita e tudo mais. Eram animações feitas em película, é uma obra de arte feita no Brasil. É uma forma nossa de homenagear esse pioneirismo da animação no Brasil”, ressalta Ribas.

E esse trabalho chamou atenção até mesmo de pessoas dentro da própria Globo, que convidaram a equipe para conhecer o estúdio Joaquim 3 Rios, responsável pela criação das principais vinhetas da emissora nas décadas de 1970 e 80. “Quando entrou o Hans Donner (designer da emissora) veio essa logo da Globo, da telinha, e começou a se tornar um conceito. Aí tivemos a oportunidade de conhecer o Joaquim, já falecido na pandemia. Foi graças à essa oportunidade que alcançamos o conhecimento de refinar nosso trabalho, para deixar mais próximo possível do original”, disse.

Com a chegada da inteligência artificial, o trabalho da Rede Clone ganhou um novo aliado. “A primeira vez que usamos a IA foi para parodiar as vozes, como do Sérgio Chapelin, Cid Moreira, Silvio Santos e deu certo. Começou a dar certo também para recriar imagens. É difícil encontrar imagens da década de 70 para parodiar algo, por exemplo, assim a gente consegue fazer as novelas, programas, entrevistas”, concluiu Uéverton.

Confira mais
O canal do Youtube da Rede Clone (@RedeClone) conta com cerca de 12 mil inscritos e vídeos que alcançam mais de 200 mil visualizações. Há conteúdos com a programação ‘quase’ original de décadas passadas, como a extinta premiação do Globo de Ouro, que vira Clone de Ouro na paródia.

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