Mãe e filho. Ela tem 56 anos, ele 16. Os dois, Maria Alcione Schneider e Samuel Leandro Schneider, fazem tudo juntos, assim como em muitas famílias. E, nos últimos anos, o esporte passou a fazer parte dessa rotina compartilhada. Primeiro como um hábito, iniciado pelo próprio Samuel, que aos 13 anos quis treinar na academia. Ela, que precisava levar e esperar o filho, acabou entrando no ambiente também. Agora, o que começou como uma simples companhia acabou levando os dois ao título de campeões mundiais.
Maria Alcione e Samuel conquistaram o feito recentemente, durante o Campeonato Mundial de Powerlifting, organizado pela Global Powerlifting Committee (GPC), que ocorreu em Balneário Camboriú. Inclusive, foi a primeira vez deles em uma competição de nível internacional, e já conseguiram a medalha de ouro em uma das provas mais disputadas da modalidade. Ao todo, estiveram presentes mais de mil atletas, vindos de 21 países. A emoção, claro, é de felicidade e também de surpresa, já que ambos foram unânimes em afirmar que não imaginavam conquistar a façanha logo na estreia. “A gente foi com a intenção de participar, para ver como é, e quando ganhamos foi extraordinário”, sorri Alcione.
Samuel foi o primeiro a competir, na categoria Teen 2, que envolve atletas com idades entre 16 e 17 anos. Ele disputou a prova de powerlifting, em que levantou 210 quilos no agachamento, 105 quilos no supino e 240 quilos no levantamento terra. Ao todo, o são-bentense atingiu a marca de 555 quilos, ficando com a medalha de prata, atrás do adversário argentino. “Não vi problema, porque o argentino é realmente bom e está mais tempo competindo”, menciona. No dia seguinte, Samuel retornou para a competição, desta vez para competir somente no levantamento terra, onde sagrou-se campeão na modalidade, levantando 245 quilos. “Foi incrível, é fora do comum, sair de uma cidade ‘pequena’ para ser campeão mundial, é um salto bem grande”, diz.
Depois foi a vez de Maria Alcione colocar seu nome na história da competição. A carismática são-bentense competiu na categoria Master 4, na modalidade supino, onde conseguiu a vitória após levantar 46,5 quilos. A marca ganha ainda mais notoriedade, pois tornou-se recorde mundial feminino na sua categoria. “Você pensa assim, não é muito peso, mas ninguém fez isso até hoje”, diz, emocionada. E não parou por aí, pois no mesmo dia ela fez a prova no levantamento terra, onde também saiu campeã, levantando 115 quilos. Ela chegou a levantar 120 quilos, mas o resultado não foi validado, pois na modalidade existem regras específicas que exigem que a barra seja levantada e mantida de forma correta até a finalização do movimento.

Exemplo de força e dedicação
Antes de ingressar no mundo do powerlifting, Maria Alcione não praticava nenhum esporte. Porém, quando o filho começou a treinar na Academia Teles, em 2021, ela precisava acompanhá-lo. Inclusive, ela nem conhecia a modalidade. “Eu jamais imaginava na minha vida que estaria nestes ambientes de powerlifting, pensava que era coisa de homem, coisa bruta, e me enganei, hoje tem muitas mulheres que estão treinando. E eu digo assim, quem não conhece, não sabe o que está perdendo. É tão bom para a saúde. Antes eu tomava remédio para dormir, acordava de madrugada, com dores nas costas e acabou tudo”, expõe.
Agora, desde que começaram a competir, os dois colecionam medalhas de ouro em todas as provas que disputam. Samuel tem apenas duas medalhas de prata na sua coleção. Neste ano, para garantir a vaga no Mundial, passaram pelo Catarinense e pelo Brasileiro, conquistando a vitória em ambas as competições.
E para conseguir manter o desempenho, a rotina é regrada. De manhã, Samuel vai à escola; à tarde, trabalha; e, à noite, segue para a academia. Já Maria Alcione precisa conciliar com o trabalho, onde atua como empregada doméstica, e, à noite, ao lado do filho, também vai para a academia. Quando retornam para casa, o tempo é destinado aos afazeres domésticos. Mas, apesar da correria, ela afirma que, desde que começou a treinar, ganhou mais disposição. “Todo mundo pensa que vou para a academia e vou ficar quebrado, mas não, dá uma adrenalina que posso fazer qualquer serviço que não canso”, conta.

Agradecimentos
Se hoje carregam o título de campeões mundiais, eles fazem questão de agradecer ao treinador Francisco Teles, que os incentivou a participar das competições e sempre os apoia. Os dois fazem parte da equipe de atletas da Academia Teles. “Ele é o melhor técnico, porque é muito sincero e profissional. Quando é para puxar a orelha, ele puxa. Ele zela pela saúde do atleta”, afirma.
Agora, com a experiência do primeiro Mundial, já colocaram como meta participar novamente no próximo ano. Primeiro, terão que passar pelo Catarinense e pelo Brasileiro, e, se depender da dedicação, estarão novamente na principal competição, que em 2026 será na Polônia. “Se Deus quiser, nós vamos”, encerra Maria. Por fim, eles também agradecem o apoio dos amigos, familiares e patrocinadores. Inclusive, quem desejar patrociná-los pode entrar em contato pelo telefone 47 9973-3984.







