O que deveria conter apenas materiais recicláveis tem chegado às cooperativas de São Bento do Sul com roupas, restos de comida, papel higiênico usado, animais mortos e até fezes humanas. O descarte irregular nos sacos laranja, utilizados na coleta seletiva do município, voltou a preocupar os trabalhadores das três cooperativas credenciadas para realizar a triagem dos resíduos.
Recentemente, uma funcionária de uma das cooperativas encaminhou à reportagem um vídeo mostrando um dos sacos laranja recheado de materiais que não poderiam estar na coleta seletiva. “A turma vive pedindo, mas, ao invés de colocar material reciclável, colocam lixo, roupas e comidas”, relatou.
Segundo a presidente da Cooperativa de Materiais Reciclados de São Bento do Sul, Sandra Alves de Lima Carvalho Machado, a implantação dos sacos laranja trouxe bons resultados no início, mas a qualidade da separação feita pelos moradores piorou com o passar do tempo. “Quando começou foi uma beleza. Depois aconteceu a mesma coisa que nos Ecopontos. A população começou a fazer mau uso e agora está colocando lixo orgânico junto com os recicláveis”, afirmou.
Entre os materiais encontrados com frequência estão sacos com grama cortada, folhas de jardim e até animais mortos. “Semana passada vieram três galinhas mortas”, contou Sandra.
Além do trabalho extra para separar resíduos que deveriam seguir para a coleta convencional, os cooperados enfrentam riscos à saúde. Durante a visita da reportagem ao local, o cooperado Sérgio Engel mostrou que cerca de 30% do material recebido não é reciclável. Segundo ele, além do mau cheiro provocado pelos resíduos orgânicos, também são encontrados objetos perigosos, como seringas, frascos de veneno e outros materiais que podem causar acidentes durante a triagem.
Fiscalização é orientativa
O diretor do Departamento de Resíduos Sólidos Urbanos, Maycon Otávio Skibinski, explicou que os coletores observam, durante a coleta, quando há mistura de resíduos orgânicos com recicláveis. Nesses casos, a equipe da Transresíduos é comunicada e faz uma visita ao imóvel para orientar o morador sobre a separação correta. “Hoje o município não possui legislação que permita aplicar multas para esse tipo de situação. O trabalho é de orientação e conscientização”, explicou.
Caminhão gera confusão
Outro ponto levantado pelas cooperativas é a troca do veículo utilizado na coleta seletiva. Antes realizada por um caminhão baú, a operação passou a ser feita com um caminhão compactador semelhante ao utilizado na coleta convencional. Para Sandra, isso tem levado muitos moradores a acreditar que se trata do caminhão do lixo comum. “Antes era o caminhão baú. Agora é o caminhão compactador e muitas pessoas pensam que é a coleta convencional, quando, na verdade, é a coleta seletiva”, comentou.
Maycon explica que a mudança ocorreu por questões de segurança do trabalho.”Hoje os coletores não podem mais retirar os sacos do chão e lançá-los acima dos ombros. O caminhão compactador é o único veículo disponível no município que atende às exigências de ergonomia”, afirmou.
Segundo ele, a Prefeitura chegou a estudar uma identificação exclusiva para o veículo, mas isso não foi possível porque o mesmo caminhão também é utilizado na coleta convencional. Como forma de diferenciar os serviços, a orientação é que os moradores observem os horários: normalmente a coleta seletiva ocorre durante a manhã, enquanto a convencional é realizada à noite.
Uso inadequado dos sacos
Outro problema enfrentado pelo Samae é o uso incorreto dos sacos laranja. De acordo com Maycon, cada residência recebe um kit com 26 unidades, quantidade suficiente para aproximadamente seis meses de coleta seletiva, considerando a utilização de um saco por semana. Entretanto, alguns moradores descartam pequenas quantidades de recicláveis diariamente, fazendo com que os sacos acabem antes do previsto. “Tem gente que usa um saco por dia e não fecha para os seis meses”, explicou.
Quando isso acontece, muitos passam a utilizar sacos comuns, dificultando a identificação dos recicláveis durante a coleta. A distribuição dos kits também enfrenta atrasos após o encerramento do contrato com a empresa terceirizada responsável pela entrega. Conforme o diretor, uma nova alternativa já foi definida pela Prefeitura, mas a normalização ocorrerá de forma gradual.
Coleta seletiva cresce mais de 360%
Apesar dos problemas enfrentados pelas cooperativas, a coleta seletiva apresentou crescimento expressivo nos últimos anos em São Bento do Sul.
Em 2021, foram recolhidas 661,59 toneladas de materiais recicláveis. Em 2025, esse volume chegou a 3.062,19 toneladas, um aumento superior a 360%. Neste ano, até o momento, já foram coletadas 1.580 toneladas de recicláveis.
Dias e bairros de coleta
Segunda-feira: Bela Aliança, Brasília, Centenário, Centro, Dona Francisca, Ind. Sudoeste, Mato Preto e Serra Alta.
Terça-feira: 25 de Julho, Centro, Colonial, Cruzeiro, Oxford, Progresso, Rio Negro e Schramm.
Quarta-feira: Alpino, Boehmerwald, Centro, Lençol, Rio Mandioca e Rio Vermelho.
Quinta-feira: 25 de Julho, Centro, Colonial, Cruzeiro, Oxford, Progresso, Rio Natal, Rio Negro e Schramm.
Sexta-feira: Bela Aliança, Brasília, Centenário, Centro, Dona Francisca, Ind. Sudoeste, Mato Preto e Serra Alta.
Sábado: Alpino, Boehmerwald, Centro, Lençol e Rio Vermelho.



