Quando uma criança ou adolescente mais precisa de um lar, elas estão lá para ajudar. São pessoas comuns, mas com um coração que muitas vezes não cabe no peito. Em Campo Alegre, o serviço de acolhimento familiar completou 18 anos em novembro e se tornou referência em Santa Catarina.
A psicóloga Danielle Almeida da Guia, uma das responsáveis pelo serviço no município, lembra que a política pública precisou ser implementada em 2007, quando crianças acolhidas eram encaminhadas para São Bento do Sul. “Quando veio o acolhimento de cinco irmãos o juiz da comarca determinou que o município implementasse o serviço”, explicou, citando que o marco oficial é 12 de novembro de 2007.
Atualmente, 16 famílias em Campo Alegre fazem parte do serviço, acolhendo quem for, no momento em que for preciso. “A criança e o adolescente são protegidos pela lei, eles têm prioridade absoluta, mas antes deles vêm nossas famílias. A gente depende delas. Desde que iniciamos o serviço, 52 crianças foram acolhidas nestes anos, o que para Campo Alegre é um número alto”, comentou Danielle, lembrando que estas famílias já acolheram até mesmo crianças estrangeiras.
Entre essas famílias está o casal José e Maria Juliane Domingues Cristofolini, que integra o programa desde 2014. Ao longo dos anos, eles já acolheram 15 crianças e adolescentes, incluindo um grupo de quatro irmãos que permaneceu mais de dois anos sob seus cuidados.
“A gente entra sabendo que eles não são nossos filhos, mas o trato é o mesmo. Nosso papel é encaminhar eles, tirar daquela vida ruim e dar um bom exemplo”, afirmou José. Maria relembra o primeiro acolhimento como um período de exaustão, mas também de profundo crescimento humano. “A gente descobre quanto de força e coragem tem”, disse.
Após mais de dois anos, os quatro irmãos seguiram para adoção. A despedida foi marcada por emoção e um novo ciclo para a família acolhedora. “Foi bem coisa de Deus”, contou Maria, ao lembrar que engravidou pouco antes da saída das crianças.
Quando as crianças são adotadas por uma nova família, é crucial que elas não tenham contato com a família acolhedora nos seis primeiros meses, justamente para criar um novo vínculo com seus familiares. “Depois a família veio atrás da gente mostrar que estava tudo bem, as crianças perguntavam da gente.”, citou Maria. “Temos novos amigos para o resto da vida”, concluiu José.



