Quase 8,5 mil quilômetros percorridos, enfrentando temperaturas entre -5ºC e 40ºC e altitudes próximas de 4,8 mil metros. Foi assim que o casal são-bentense Dione Baumgartner Mousquer e Fábio Mousquer transformou em realidade o sonho de chegar de motocicleta ao Deserto do Atacama, no norte do Chile.
Considerado um dos lugares mais impressionantes do mundo, o deserto foi o destino escolhido para a empreitada – ela pilotando uma motocicleta estilo custom de 750 cilindradas (cc), ele uma big trail de 1.250 cc. “A ideia surgiu após meu esposo me incentivar a pilotar, para podermos passear juntos e sentir as sensações incríveis que uma motocicleta proporciona”, explica Dione. Segundo ela, o planejamento da viagem ao famoso destino chileno começou ainda em 2023.
Mas, devido a algumas questões particulares, o planejamento foi interrompido momentaneamente, sem falar que faltava um detalhe fundamental: “Eu consegui realmente aprender a pilotar somente em março de 2025”, conta ela, ressaltando que pequenas viagens marcaram o início da trajetória como motociclista.
No mesmo ano – 2025 –, uma empreitada mais longa, entre São Bento e Santa Rosa/RS, selou a decisão, após quase dois mil quilômetros. Outra viagem decisiva englobou a Rodovia Rastro da Serpente, entre São Paulo e Paraná, conhecida pelas suas mais de duas mil curvas, ida e volta. “Então eu estava apta para realizar um sonho: pilotar até o Deserto do Atacama”, relata a professora, moradora do bairro Brasília.
A escolha
“O local da viagem foi escolhido devido à diversidade de culturas e paisagens”, completa Dione. “Mas, antes de decidir um destino, tem coisas essenciais: planejamento, preparo e propósito. Uma viagem de motocicleta exige organização no roteiro, preparo físico e mental para poder enfrentar os desafios da estrada”, pondera, destacando que, além de sentir a energia dos lugares, é preciso respeitar os limites das estradas.
“Tem que escolher os equipamentos adequados e uma motocicleta que atenda às exigências. A manutenção é essencial para uma viagem de longa distância. Nossas motos foram devidamente preparadas para esta expedição”, acrescenta Dione, explicando que a saída de São Bento do Sul foi na manhã do dia 13 de março, com retorno em 1º de abril, somando quase 8,5 mil quilômetros rodados.
Dentre tantos detalhes vividos durante a aventura, atravessar o deserto propriamente dito foi um dos episódios mais marcantes. “Muitas reflexões foram além de uma paisagem completamente inóspita e exuberante ao mesmo tempo. Mudanças bruscas de temperatura durante o percurso também exigiram determinação e coragem. O maior medo? Ficar sem combustível dentro de um cenário completamente desabitado por quilômetros”, relata.
Sem palavras
De acordo com Dione, é difícil encontrar palavras para traduzir as paisagens pelas quais o casal passou. “Existem lugares que não se explicam, apenas se vivem”, define. “Nas rotas do Chile e Argentina, entre vulcões, montanhas nevadas e lagos cristalinos, você não pilota apenas uma moto: você pilota sua própria história”, filosofa ela.
Detalhes
– Foi quase 8,5 mil quilômetros percorridos entre 13 de março e 1º de abril;
– O casal gastou R$ 10,7 mil para fazer a viagem, incluindo combustível, alimentação, hospedagem e outros custos;
– Eles não cozinharam durante a viagem na Argentina e no Chile porque é proibido entrar com alimentos (vegetais e de origem animal);
– As condições climáticas foram favoráveis: “Nem chuva pegamos”, conta Dione;
– A maior altitude alcançada foi de cerca de 4,8 mil metros;
– As temperaturas variaram entre -5ºC e 40ºC;
– Durante o trajeto, eles avistaram apenas mais uma mulher viajando de moto – também acompanhada pelo esposo;
– Dione e Fábio estão planejando a próxima viagem, desta vez, para a Região dos Sete Lagos, na Patagônia argentina.



