A Sociedade Literária São Bento foi uma das entidades homenageadas durante a recente sessão solene promovida pela Câmara de Vereadores de São Bento do Sul, em reconhecimento aos seus 145 anos de história e atuação na preservação da cultura. A moção de aplausos foi proposta pela vereadora Cátia Friedrich (PSD).
Fundada em 15 de outubro de 1881, poucos anos após a criação do município, a então Lese Verein, expressão alemã que significa Clube da Leitura, tornou-se a primeira sociedade literária de Santa Catarina. Atualmente, é considerada a mais antiga entidade do gênero em atividade no Brasil e a terceira mais antiga das Américas. Ao longo da história, preservou um dos maiores acervos de obras em língua alemã do país, mesmo após parte da coleção ter sido confiscada durante a Segunda Guerra Mundial. Desde 1941, funciona no casarão histórico da Avenida Argolo, tombado como patrimônio histórico de São Bento do Sul e de Santa Catarina. Em 2025, também foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do município.
Ao defender a homenagem, a vereadora Cátia Friedrich destacou que a Sociedade Literária permanece ativa graças ao trabalho desenvolvido por sucessivas gerações de voluntários e associados, mantendo viva a valorização da literatura e da cultura. Ela ressaltou que a entidade reúne atualmente cerca de 31,5 mil obras, entre títulos em alemão, português e outros idiomas, além de promover exposições, concursos literários, palestras, encontros culturais e visitas de estudantes. Também lembrou iniciativas recentes, como a campanha beneficente Leitura do Bem, que destinou mais de 1,2 mil livros às escolas públicas do Rio Grande do Sul atingidas pelas enchentes de 2024.
A homenagem foi recebida pelo presidente da Sociedade Literária São Bento, o jornalista Ivan Roberto Liebl. Em seu pronunciamento, ele recordou que a entidade atravessou momentos marcantes da história mundial, como o fim do período imperial brasileiro, duas guerras mundiais, crises econômicas, a pandemia Covid-19 e as transformações tecnológicas, sem deixar de cumprir sua missão de preservar o conhecimento.
“Os imigrantes que vieram povoar estas terras entenderam que não bastava cortar a madeira para construir suas casas e cultivar a terra para o sustento de suas famílias. Era preciso alimentar o intelecto, a imaginação e a alma”, destacou. Liebl também destacou que a homenagem pertence aos pioneiros que fundaram a instituição em 1881 e às gerações de voluntários, diretores, conselheiros e associados que mantiveram viva, ao longo de 145 anos, a paixão pela literatura e pela cultura.





