A cachorrinha vítima de maus-tratos em um caso de violência doméstica em Rio Negrinho não resistiu aos ferimentos e morreu na noite desta terça-feira (27). O animal havia sido resgatado após a prisão em flagrante de um homem pela Polícia Civil de Santa Catarina, acusado de maus-tratos contra a cachorra da família e de ameaça à própria esposa.
O homem foi preso após um episódio de violência doméstica, no qual, além de ameaçar a companheira, agrediu violentamente o animal. Ao tentar intervir para proteger a cachorra, a vítima relatou que o agressor continuou as agressões, causando lesão em uma das patas do animal e passando a ameaçá-la de morte. A mulher conseguiu deixar a residência acompanhada dos dois filhos e acionou a Polícia Militar, sendo encaminhada à Delegacia.
Durante o atendimento da ocorrência, foi informado que a cachorra estaria ferida e havia desaparecido após as agressões. Em diligências posteriores, policiais civis localizaram e resgataram o animal, que estava amarrado em uma área de mata, com indícios de fratura em uma das patas.
Após o resgate, a cachorrinha recebeu atendimento com o apoio do Grupa e de voluntários da causa animal, que se mobilizaram rapidamente em busca de tratamento veterinário e auxílio para tentar salvar sua vida. O caso gerou grande comoção, com pedidos de ajuda e manifestações de solidariedade nas redes sociais.
Apesar de todos os esforços, o animal acabou morrendo ainda durante a noite, em decorrência dos ferimentos provocados pelas agressões. A morte da cachorrinha causou revolta e tristeza entre moradores, protetores independentes e entidades de defesa dos animais.
O agressor foi autuado em flagrante pelos crimes de maus-tratos contra animal, praticar ato de abuso, ferir ou mutilar animal doméstico e ameaça, além de ameaçar alguém de causar-lhe mal injusto e grave. O nome do preso não foi repassado à imprensa, assim como o bairro onde ocorreram os fatos.
Caso Cão Orelha
A morte da cachorrinha em Rio Negrinho ocorre em meio a novos desdobramentos de outro caso de maus-tratos que ganhou repercussão em Santa Catarina. Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (27), a Polícia Civil de Santa Catarina apresentou os avanços da investigação sobre a morte do cão comunitário conhecido como Orelha, ocorrida no início de janeiro, na Praia Brava, em Florianópolis.
O animal morreu durante atendimento médico-veterinário após sofrer agressões. A investigação apontou suspeita de envolvimento de adolescentes, o que motivou a instauração de auto de apuração de ato infracional pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE). Paralelamente, a Delegacia de Proteção Animal (DPA) apurou a coação de testemunhas por familiares dos adolescentes.
Após interrogatórios, familiares dos adolescentes, sendo um advogado e dois empresários, foram indiciados por coação no curso do processo. Segundo a delegada Mardjoli Valcareggi, mais de 20 pessoas foram ouvidas e mais de mil horas de imagens foram analisadas no inquérito, que já foi concluído e encaminhado ao Fórum.
Na segunda-feira (26), a DPA e a DEACLE cumpriram mandados de busca e apreensão em residências dos adolescentes suspeitos e dos adultos investigados, com apreensão de celulares e equipamentos eletrônicos. O procedimento envolvendo os adolescentes será concluído pela DEACLE.
O delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, reforçou que é vedada a divulgação de imagens, fotos ou nomes dos adolescentes investigados, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Com informações da Agência de Notícias Secom.






