Uma língua trazida por imigrantes há mais de 150 anos ainda sobrevive em São Bento do Sul. O Bayerisch, dialeto originário da Baviera, no sul da Alemanha, continua presente na rotina de moradores que aprenderam a falar a língua dentro de casa e hoje buscam evitar que essa tradição desapareça.
Diferentemente do alemão padrão, conhecido como Hochdeutsch, o Bayerisch possui palavras, expressões e pronúncias próprias. Em São Bento do Sul, o dialeto foi transmitido principalmente pela fala e permaneceu durante gerações dentro das famílias.
Entre os moradores que preservam essa tradição estão Erna Redlich, do Centro, Roseli Teresinha Drechsler, da Serra Alta, e Franklin Correa, do Rio Vermelho Estação. Cada um mantém uma relação diferente com o Bayerisch, mas os três compartilham o orgulho pela cultura deixada pelos antepassados.
Uma língua aprendida antes do português
Erna aprendeu o dialeto antes mesmo do português e conta que chegou à escola falando apenas Bayerisch. Com o passar dos anos, porém, muitos descendentes deixaram de utilizar a língua por vergonha ou pela predominância do português.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o uso de idiomas e dialetos alemães também foi reprimido no Brasil, o que contribuiu para o enfraquecimento dessa tradição em muitas famílias.
Uma característica do Bayerisch preservado em São Bento do Sul é justamente a transmissão oral. Como não há uma forma padronizada de escrita, o dialeto passou de pais para filhos por meio das conversas do cotidiano. Para Franklin, isso fez com que a maneira de falar permanecesse praticamente congelada no tempo.
Tradição passa de geração em geração
Hoje, os moradores tentam recuperar esse patrimônio cultural. Em 2024, Erna criou o Café Bayerisch, encontro que reúne pessoas interessadas em conversar no dialeto e compartilhar lembranças. Ela também visita escolas para apresentar algumas palavras às crianças.
Roseli segue o mesmo caminho dentro da família e ensina expressões à neta, de 6 anos. Franklin, que entende parte do dialeto, defende a criação de um espaço permanente para reunir os falantes e incentivar a conversação.
Para os três, preservar o Bayerisch significa manter viva uma parte da história de São Bento do Sul e da imigração que ajudou a formar a identidade do município.



