Bayerisch sobrevive há 150 anos em São Bento do Sul

Dialeto trazido por imigrantes bávaros continua sendo falado por moradores e preservado por meio de encontros, escolas e conversas entre famílias

• Atualizado 27 dias atrás.

Alguns moradores de São Bento do Sul mantêm o dialeto e as tradições do Bayerisch (Foto: Zuciane Peres)
Alguns moradores de São Bento do Sul mantêm o dialeto e as tradições do Bayerisch (Foto: Zuciane Peres)
Alguns moradores de São Bento do Sul mantêm o dialeto e as tradições do Bayerisch (Foto: Zuciane Peres)
Alguns moradores de São Bento do Sul mantêm o dialeto e as tradições do Bayerisch (Foto: Zuciane Peres)

Uma língua trazida por imigrantes há mais de 150 anos ainda sobrevive em São Bento do Sul. O Bayerisch, dialeto originário da Baviera, no sul da Alemanha, continua presente na rotina de moradores que aprenderam a falar a língua dentro de casa e hoje buscam evitar que essa tradição desapareça.

Diferentemente do alemão padrão, conhecido como Hochdeutsch, o Bayerisch possui palavras, expressões e pronúncias próprias. Em São Bento do Sul, o dialeto foi transmitido principalmente pela fala e permaneceu durante gerações dentro das famílias.

Entre os moradores que preservam essa tradição estão Erna Redlich, do Centro, Roseli Teresinha Drechsler, da Serra Alta, e Franklin Correa, do Rio Vermelho Estação. Cada um mantém uma relação diferente com o Bayerisch, mas os três compartilham o orgulho pela cultura deixada pelos antepassados.

Uma língua aprendida antes do português

Erna aprendeu o dialeto antes mesmo do português e conta que chegou à escola falando apenas Bayerisch. Com o passar dos anos, porém, muitos descendentes deixaram de utilizar a língua por vergonha ou pela predominância do português.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o uso de idiomas e dialetos alemães também foi reprimido no Brasil, o que contribuiu para o enfraquecimento dessa tradição em muitas famílias.

Uma característica do Bayerisch preservado em São Bento do Sul é justamente a transmissão oral. Como não há uma forma padronizada de escrita, o dialeto passou de pais para filhos por meio das conversas do cotidiano. Para Franklin, isso fez com que a maneira de falar permanecesse praticamente congelada no tempo.

Tradição passa de geração em geração

Hoje, os moradores tentam recuperar esse patrimônio cultural. Em 2024, Erna criou o Café Bayerisch, encontro que reúne pessoas interessadas em conversar no dialeto e compartilhar lembranças. Ela também visita escolas para apresentar algumas palavras às crianças.

Roseli segue o mesmo caminho dentro da família e ensina expressões à neta, de 6 anos. Franklin, que entende parte do dialeto, defende a criação de um espaço permanente para reunir os falantes e incentivar a conversação.

Para os três, preservar o Bayerisch significa manter viva uma parte da história de São Bento do Sul e da imigração que ajudou a formar a identidade do município.

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