À frente do 23º Batalhão de Polícia Militar (BPM), o tenente-coronel Veloso fez um balanço da segurança pública em São Bento do Sul e região. Em um tom que mistura reconhecimento pelos avanços e preocupação com o futuro, o comandante foi enfático: os bons índices criminais colhidos hoje são fruto de uma engrenagem que envolve desde a participação comunitária até parcerias institucionais. No entanto, ele faz um alerta: a escassez de efetivo e a sensação de impunidade são sombras que ameaçam a manutenção desses resultados a longo prazo.
Plenamente ambientado à realidade local, que abrange também Rio Negrinho e Campo Alegre, Veloso pontua que o perfil da população regional é um facilitador para o trabalho policial. Para ele, o caráter trabalhador e ordeiro dos moradores cria um ambiente onde a ordem pública prevalece. Essa segurança, segundo o oficial, é sustentada por uma soma de fatores: a parceria estreita com as prefeituras, a integração técnica com o Judiciário e a Polícia Civil, e um forte investimento em prevenção. Programas como o Proerd, as redes de vizinhos e a rede comercial, aliados à atuação da Rede Catarina, formam um cinturão de proteção que se beneficia, inclusive, de aspectos econômicos, como a oferta de empregos, e geográficos, que reduzem a circulação noturna e, consequentemente, os conflitos sociais.
Apesar do cenário favorável em diversas frentes, a violência doméstica permanece no topo das preocupações do batalhão. Atualmente, o 23º BPM monitora cerca de 240 medidas protetivas, realizando visitas preventivas constantes tanto às vítimas quanto aos agressores. São Bento do Sul oferece suporte através de casa-abrigo e ações integradas da Rede Catarina, mas o comandante olha para frente. Veloso defende a implementação de projetos preventivos nas escolas de ensino médio, focados em orientar jovens sobre relações familiares, inteligência emocional e gestão financeira, visando cortar o problema pela raiz antes que novos ciclos de violência se formem.
Efetivo e estrutura
Atualmente, o batalhão opera com cerca de 70 policiais, um número significativamente abaixo dos 120 previstos para a região. Essa carência sobrecarrega as guarnições e limita o alcance do policiamento preventivo. Além do capital humano, o espaço físico está comprometido. O prédio atual já não comporta a estrutura necessária para o Proerd, equipes táticas e treinamentos. Há, contudo, uma luz no horizonte: a ampliação da sede já está em fase de articulação e a expectativa é que as obras possam sair do papel ainda em 2026.
No que diz respeito à gestão regional, Veloso avalia de forma positiva a chegada do coronel José Luiz Cavassin ao 12º Comando Regional. Por conhecer profundamente a região, inclusive por já ter comandado a PM de São Bento, Cavassin demonstrou disposição imediata em apoiar as demandas por reforço de pessoal e melhorias estruturais.
Mesmo com estatísticas positivas, o comandante não ignora o sentimento de insegurança que ainda atinge parte da população, especialmente em relação aos furtos. Veloso atribui essa percepção à impunidade. Segundo ele, é frustrante para a tropa prender criminosos com dezenas ou centenas de passagens que, pouco tempo depois, retornam às ruas.
Tecnologia
Para combater a criminalidade de forma moderna, o batalhão aposta na tecnologia. Sistemas de leitura de placas (OCR) já são realidade e projetos de reconhecimento facial foram testados com sucesso em eventos, com previsão de ampliação para 2026. No campo digital, a PM atua na prevenção e orientação contra crimes cibernéticos, deixando a investigação a cargo da Polícia Civil. A participação ativa da sociedade, através das redes de segurança escolar, rural e a proposta de uma escola cívico-militar, encerra o ciclo de defesa da região. Para o tenente-coronel Veloso, a segurança é uma construção permanente que não permite acomodação.



