Arquiteto defende mais espaço para pedestres e ciclistas e critica decisões no trânsito de São Bento

Ele defende que as intervenções no sistema viário da cidade precisam seguir critérios técnicos
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• Atualizado 3 meses atrás.

Mobilidade ativa, que prioriza pedestres, ciclistas e usuários do transporte coletivo, deve ser o eixo central (Foto: Jonei Schritki / A Gazeta)

O arquiteto e urbanista Ruben Benedicto Pereyra, conselheiro do Concidade e representante do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina (CAU/SC), manifestou preocupação com algumas mudanças recentes no trânsito de São Bento do Sul. Ele defende que as intervenções no sistema viário da cidade precisam seguir critérios técnicos e contar com participação popular, para evitar que soluções mal planejadas acabem agravando problemas urbanos.

Segundo Pereyra, a mobilidade ativa, que prioriza pedestres, ciclistas e usuários do transporte coletivo, deve ser o eixo central das políticas públicas de mobilidade. Ele alerta que decisões que favorecem apenas o fluxo de automóveis estão ultrapassadas e podem comprometer a qualidade de vida da população. “Cidades inovadoras em todo o mundo apostam na mobilidade ativa. Quando dificultamos o deslocamento a pé e desestimulamos o transporte público, pioramos o ar, aumentamos gastos em saúde e afastamos moradores e turistas”, afirma o arquiteto.

Um exemplo que o profissional cita é a redução das calçadas no Centro da cidade, que, segundo ele, “tornou o ambiente hostil para idosos, crianças e pessoas com mobilidade reduzida”, o que impacta também o comércio local.

Pereyra lembra que outras cidades no Brasil e no exterior têm adotado políticas que valorizam o pedestre e reduzem a dependência do carro. Paris, por exemplo, transformou 70 mil vagas de estacionamento em áreas verdes; São Paulo restringiu garagens em prédios próximos ao transporte público; e Oslo, Amsterdã e Barcelona criaram zonas livres de carros.

Mesmo o relevo acidentado de São Bento do Sul, segundo ele, não é obstáculo para políticas de mobilidade ativa. “São Francisco, nos Estados Unidos, também é uma cidade montanhosa e conseguiu integrar bicicletas e transporte coletivo com sucesso”, destaca.

O arquiteto reforça que planejamento urbano com visão e participação popular é o caminho para uma cidade mais saudável, segura e economicamente dinâmica. Ele cita como exemplo o trabalho do ex-prefeito Osvaldo Zipperer, responsável pelo primeiro Plano Diretor do município, e defende a retomada dessa cultura de planejamento. “Não se trata de abolir os carros, mas de valorizar a mobilidade ativa e o transporte público como pilares da qualidade de vida. Pensar o trânsito apenas para os automóveis é um erro perigoso”, conclui.

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