O Rio Natal, conhecido pelas paisagens naturais, rios que acompanham as estradas e pelo clima de tranquilidade, ganha um movimento especial em determinados fins de semana por conta da passagem da Maria Fumaça. É nesse cenário, ao lado da Capela Jesus Ressuscitado, que visitantes encontram um dos pontos mais tradicionais do roteiro: o almoço típico preparado pela comunidade local.
No galpão ao lado da igreja, turistas se reúnem para aproveitar o cardápio que reúne receitas da culinária polonesa e alemã. As filas são constantes e muitos visitantes repetem o prato, atraídos pelo sabor caseiro e pelo preparo feito pela Associação de Moradores de Rio Natal.
A equipe, formada por nove integrantes, se dedica a cada detalhe da produção. Enquanto alguns preparam as carnes, outros organizam saladas e acompanhamentos, grande parte deles feitos no fogão a lenha, o que mantém o sabor característico da comida servida no local.
À frente da cozinha está a chefe Eliane Lilla, responsável pelo cardápio que preserva tradições trazidas pelos imigrantes e mantidas pelas famílias da região. Entre os destaques está o pirógue, prato típico polonês que exige horas de preparo e segue sendo um dos mais procurados pelos visitantes. “Ele dá bastante trabalho, precisa fazer antes, congelar. Até pensamos em não fazer mais, mas não dá. O pessoal que vem de fora já pede, então é um prato que não tem como tirar do cardápio”, conta Eliane.
Segundo ela, o cardápio reúne comidas caseiras típicas das duas culturas que marcam a história da comunidade. Já para quem visita o local pela primeira vez, a experiência vai além do sabor. Muitos turistas desconhecem nomes e receitas tradicionais, o que gera curiosidade e interação durante o serviço.
O responsável pela organização do buffet, Osório Janszkowski, costuma explicar aos visitantes os pratos típicos, como chucrute e canudo de palmeira. “É engraçado, porque às vezes eles não sabem nem pronunciar direito”, brinca.
Os preparativos começam dias antes do passeio da Maria Fumaça. A equipe organiza compras, calcula porções e inicia o preparo das receitas na sexta-feira, com atividades que seguem até o dia do evento. O trabalho intenso se estende até o fim do dia, quando o fluxo de visitantes diminui.
Além dos moradores locais, o grupo conta com a participação de familiares que ajudam na organização e manutenção da tradição. Muitos cresceram na comunidade e seguem envolvidos nos eventos ao longo dos anos, reforçando o vínculo com a história da localidade.
Entre os voluntários está também Fabiano Schloegel, que divide a rotina entre o trabalho durante a semana e o auxílio nos fins de semana de evento. Apaixonado por trens, ele destaca a importância de manter viva a cultura local. “Com isso, a gente consegue manter a nossa história, levar os pratos típicos adiante e divulgar essa cultura”, afirma.
O almoço é aberto ao público e custa R$ 50, sendo servido das 11h30 às 13h30 nos dias de passeio da Maria Fumaça. Em casos de grupos maiores, a recomendação é fazer reserva pelo telefone (47) 99953-6555.
O próximo passeio acontece nos dias 20 e 21 de junho, com o trajeto entre Rio Negrinho e Corupá e parada para almoço em Rio Natal, atraindo turistas de diferentes regiões do Brasil e também visitantes estrangeiros.



