Não estava nos planos de Djenyfer Arnold ser uma atleta, mas foi o esporte quem a escolheu. Quando ainda era criança, ela precisava acompanhar o irmão Djeyson na natação. “Ele foi por conta da bronquite, por orientação médica precisava nadar, e eu ia junto porque ele cuidava de mim. Fiquei quase um ano só assistindo”, lembra.
Sempre ao lado do irmão, não tinha como ela não seguir passos dele. Com sete anos, Djenyfer deu os primeiros mergulhos na piscina municipal. Um ano depois, já começou a participar em competições a nível estadual. A primeira medalha veio com nove anos de idade. “Na piscina é bem rápido, você aprende a nadar e eles já colocam para competir”, conta.
Os anos foram passando, ela foi ganhando medalhas, tudo estava indo normal na vida da são-bentense. Até a chegada do treinandor Marquinhos, um dos primeiros a notar o potencial de Djenyfer. “Lembro que ele tinha vindo Recife para dar treinamento, daí ele meio que abriu o mundo. Mostrou que existia o brasileiro, competições nacionais, então comecei a participar destas provas maiores”, menciona.
Com isso, surgiram novas oportunidades. Na época, recebeu a proposta de morar em Florianópolis, onde receberia apoio financeiro para as provas, além de estudo pago em escola particular e até mesmo vaga garantida na universidade de educação física. Não deu outra, com 14 anos arrumou as malas e disse adeus a São Bento do Sul.
Os pais, Sérgio e Marlise Arnold, apesar de ver a filha saindo nova de casa, não mediram esforços para fazer com que o sonho dela se concretizasse. “A gente ficou com o coração na mão, foi muito dolorido, mas era o sonho dela, a gente sabia que não tinha como bancar e como o munícipio não patrocinava, ela teve a oportunidade de receber um pouquinho, aí a gente liberou”, conta a mãe.
Um novo lar
Em Florianópolis, Djenyfer morou por dez anos. Por lá, conciliava o esporte com a graduação na Unisul. Para conseguir o diploma, atuou como estagiária dando aulas de natação para crianças. E este seria seu plano após a formatura. “Digamos que estava meio saturada da natação, não estava mais rendendo o que gostaria, então tinha decidido que ia parar de nadar e só dar treino de natação”, revela.
Mas não foi isso que aconteceu. Invés de parar de ser atleta, quando tinha 24 anos, Djenyfer fez a transição para o triatlo, graças ao incentivo da sua antiga professora, Elinai Freitas. Mas antes, para ver se seguiria na modalidade, Elinai a convidou para participar de uma prova de aquathlon, que envolve apenas natação e corrida. “Fui a segunda melhor corredora da prova inteira. Fui na louca, e ela me disse que precisava ir pro triatlo”, diverte-se.
E foi justamente isso que aconteceu. Mas Djenyfer sequer tinha uma bicicleta para treinar, usava uma emprestada de Elinai, a qual era treinadora em São José. No ano seguinte, em novembro de 2017, participou do primeiro Campeonato Brasileiro de Triatlon, em Manaus. Na disputa, terminou em terceiro lugar no feminino.
“Fui com a bicicleta emprestada da mãe da Elinai, saí bem perto da menina que ganhava todas as provas da água”, menciona.
Com essa prova, Djenyfer ganhou visibilidade nacional, sendo que um mês depois foi convidada a integrar o Esporte Clube Pinheiro, em São Paulo.
“O técnico me chamou, disse que me queria lá, que tinha visto que nadava muito bem e que tinha muito para evoluir nas outras modalidades. Eu fui na louca, não tinha nenhuma experiência de triatlo, fui sem bicicleta, mas as coisas foram se encaixando”, diz, orgulhosa. Então, desde 2018, a são-bentense reside na capital paulista.
Atleta de ouro
No triatlo, Djenyfer já foi três vezes campeã brasileira, medalha de ouro no Sul-Americano, e mais recentemente, conquistou sua principal medalha: ouro no revezamento misto nos Jogos Pan-Americano de Santiago, no Chile. Além disso, ela está cada vez mais próxima de conquistar o sonho de qualquer atleta: participar dos Jogos Olímpicos, que acontecerá ano que vem na França.
Ao todo, são duas vagas femininas para o mundial, sendo que Djenyfer e mais duas atletas estão na briga pela posição. “Neste ano não foi aquele negócio que competi só pelo prazer, eu competia porque precisava buscar pontos para o ranking olímpico”, fala.
Para isso, desde março a rotina da atleta tem sido intensa. Ao todo, ela participou de 20 competições, viajando para 10 países. “Foi o ano que mais tomei remédio, que mais fiquei doente, porque não dá para manter uma qualidade boa de alimentação e descanso. Foi o ano que menos treinei, porque competi tanto, não dava tempo de treinar”, revela.
Durante uma semana normal, ela treina todos os dias da semana, sendo mais de seis horas diárias. Aliás, ano passado, quando começou o ranking de pontuação para calendário olímpico, Djenyfer tinha sofrido uma queda de bike numa prova na Alemanha.
Por conta disso que neste ano precisou participar de diversas provas. “Não tive resultado porque estava me recuperando da cirurgia. Então neste ano precisava ser boa, como meu técnico disse: eu fiz um milagre”, orgulha-se.
Apesar de todas as adversidades, Djenyfer terminou o ano em primeiro lugar no Ranking Brasileiro Feminino de Triathon. E ano que vem ela ainda terá mais provas, em Abu Dhabi, Hong Kong, França e Austrália, que irão somar pontos para os Jogos Olímpicos. “Agora é a única vez real que me vejo nas Olímpiadas”, destaca.
Uma das última provas de Djenyfer neste ano foram os Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC), representando o munícipio de São José. Nesta prova, a são-bentense conquistou a sua 50ª medalha. “Tudo no esporte que não conquistei na natação, estou conquistando no triatlo”, destaca.
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