A Gazeta se posiciona contra gasto com segurança armado na Câmara: “O poder cega as pessoas”

Câmara de Vereadores de São Bento do Sul abriu licitação para contratação de segurança armada
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• Atualizado 13 dias atrás.

Câmara de Vereadores de São Bento do Sul abriu licitação para contratação de segurança armada (Foto: Arquivo / A Gazeta)

O jornal A Gazeta se posicionou contra o gasto previsto em licitação da Câmara de Vereadores de São Bento do Sul para contratação de segurança armada. O investimento pode chegar a R$ 390 mil por ano e foi autorizado sob decisão do presidente do Legislativo, Gilmar Pollum.

Confira abaixo o editorial na íntegra:

“Os vereadores, assim como o prefeito, os deputados, senadores, governador e presidente da República, são representantes do povo e são legitimados com essa representação pelo voto. Nenhum dos outros fica tão perto e em contato com os representados como os vereadores. São eles o elo direto do povo com o poder constituído.

Os outros representantes podem até não saber, mas os vereadores não têm como não saber o que e como pensam seus eleitores. Recentemente, numa atitude que com certeza não era prioridade da população, a Câmara de Vereadores gastou um bom dinheiro público para fazer a identificação facial dos frequentadores. Apesar de ser uma atitude que a princípio dificulta e afasta aqueles que poderiam acompanhar o trabalho legislativo, relevou-se.

Mas agora parece que o presidente Gilmar Pollum extrapolou em suas prerrogativas ao decidir gastar quase meio milhão de reais para fazer a sua segurança e de seus pares. Nenhum vereador é obrigado a ser e, antes de ser votado, escolheu essa possibilidade e duvidamos que, se algum deles tivesse divulgado na campanha ser favorável a uma medida dessa, que seria eleito.

O orçamento da Câmara é por lei demais generoso e é comum o Legislativo, ao final de cada ano “devolver” ao Executivo, tudo o que sobra. Esses valores não pertencem aos vereadores e nem ao prefeito. É dinheiro público e deve ser aplicado em favor da população, não em favor daqueles que são eleitos.

Isso não quer dizer que, por “estar sobrando”, o presidente possa, ao seu bel-prazer, gastar, já que ao final quem paga a conta somos nós, os contribuintes e, com 390 mil reais, muita coisa poderia ser feita, sem contar com o precedente que está se abrindo.

Todo e qualquer homem, ao ser imbuído de poder e ao tratar da coisa pública, precisa de assessoramento, pois o poder, por si só, infla o ego e cega as pessoas. O presidente Gilmar Pollum nos parece não estar ouvindo ninguém ou estar muito mal assessorado.

Que nos perdoem cada um dos vereadores e, em especial, o presidente, mas quantos deles possuem segurança armada em casa? Claro que a resposta é nenhum, mas como o dinheiro é público, parece que o bom senso desapareceu. Ou seria mesmo falta de assessoria?”

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