Quem passa pela casa de Verônica Fuckner pode encontrá-la lendo o jornal, muitas vezes na companhia de um chimarrão. Ela, o jornal e uma caneta para marcar o que já leu, são um trio quase que inseparável por pelos menos 20 anos. No último sábado (15), no mesmo dia de fundação de A Gazeta, dona Verônica completou 86 anos.
A leitura diária é levada ao pé da letra. Até mesmo quando viaja, faz questão de levar o jornal junto, afinal, como ela mesmo disse: “Já faz parte do dia a dia agora”. Mesmo quando a edição do jornal não vem, ela relê as anteriores. Aliás, no canto da cozinha, há um baldinho com vários deles.
Além de guardar vários exemplares, ela coleciona algumas memórias com o jornal. Já apareceu algumas vezes, principalmente quando participava de grupos da cidade. “Eu participei uns 30 anos de um coral, e sempre saía foto no jornal”, relembra. Mas, engana-se quem pensa que ela não participa mais de grupos. Atualmente é possível, em algumas matérias de folclore, encontrar dona Verônica pelas fotos, ou até mesmo com a equipe da terceira idade de jogos.
Porém, uma das memórias mais fortes que ela tem do jornal não foi aparecendo, e sim uma situação que aconteceu na praia. Anos atrás, ela, o falecido marido Livino Fuckner e outros amigos estavam passando uns dias na praia de Enseada. Naquela época, em 2005, pelo que ela lembra, o jornal estava nas bancas da cidade onde estavam, e como não dava para ficar sem a leitura, eles se revezavam para comprar na banca.
Em uma dessas idas, Livino, ao atravessar a faixa de pedestres, foi atropelado por uma ambulância. “E ele ficou um ano sem andar quase, porque quebrou uma perna, acho que em três lugares a mesma perna”, recorda.
Fora o atropelamento, também relembrou da vez que o jornal foi entregue em cima do telhado de casa. “E não achava de jeito nenhum. Mas daí o Horácio (filho) ligou para o Cezar (diretor de A Gazeta), que só veio um, não veio dois jornais. E daí, quando olhamos, acho que tinha dois em cima do telhado”, ri da situação.
Importante para ela
Verônica morava em Bateias de Baixo e há 50 anos veio para São Bento com Livino e os filhos, buscando uma melhor educação para eles. Hoje, não pensa em deixar a cidade por nada, nem abandonar A Gazeta. “Enquanto eu viver, quero que funcione”, ressalta.
Também citou que um dos motivos para começar a ler o jornal, para além da informação, é a ativação da memória, e que isso é importante para a terceira idade. Afinal, lembrar de momentos especiais, dançar no folclore e participar de jogos, aos 86 anos, não é para qualquer um.
Em vídeo
Acompanhe a reportagem em vídeo feita com dona Verônica:
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