Foi em uma festa de Santo Antônio, em Campo Alegre, que Lúcia e Rofino Telma decidiram que estava na hora de se juntarem. Hoje, eles já têm 51 anos de casados, mas, antes, já eram amigos e companheiros de escola e catequese. A conexão dos dois é tão grande que até nasceram no mesmo ano. Rofino é de setembro e Lúcia de dezembro de 1951.
Juntos, criaram não só uma vida, mas uma história. Afinal, foram nove filhos, muito trabalho árduo, dificuldades e cumplicidade. Claro, depois de tantos anos, algumas coisas mudaram, mas a roça sempre esteve presente na rotina dos dois e, até hoje, é o sustento da família. O casal já vinha de uma família que trabalhava na agricultura, então, desde pequenos, já estavam na lida.
Rofino relembra que, no tempo de estudante, além de andarem por 1 hora até a escola, à tarde pegavam o caminho do trabalho. E não era fácil. Lúcia completou a quarta série e ele foi até a terceira. “Quando completei o terceiro ano, naquele ano, o papai ficou doente, daí ele não podia trabalhar. Então eu e meu irmão saímos da escola para trabalhar”, recorda.
E se hoje em dia vemos tratores e maquinários agrícolas pelos campos de plantação, antigamente não era assim. Cavalos, carroças e enxadas faziam parte do cenário. “Era tudo no braço, pulverizar era tudo na mão”, completa Lúcia. Foi nessa rotina de acordar cedo e ir para o campo que o casal criou os filhos. “Eles iam junto e ficavam no cesto”, comenta, rindo.
No entanto, nem tudo eram flores. O casal já passou por várias dificuldades ao longo dos anos. O que mais marcou foi que, no começo da união, eles tinham só uma casinha com estopa na frente e não tinham nem parede. Na mesma época, tinham gêmeas prematuras, e entrava um vento frio e forte por todos os lados. “Elas se criaram e estão fortes”, fala Lúcia.
Cedo todos os dias
Trigo, milho e soja estão entre as principais sementes cultivadas pelo casal, principalmente pelo seu Rofino, que, aos 73 anos, continua trabalhando, e é comum vê-lo com o trator pelas plantações da propriedade.
A rotina exige esforço constante, sem folgas aos fins de semana, e o trabalho também se estende ao cuidado das criações, como galinhas, porcos e cavalos, que exigem atenção todos os dias. “Você tem que tratar todo dia. É cedo, de tarde, todo dia tem que fazer. Não tem sábado, não tem domingo, não tem nada aí”, expõe o produtor rural.
E o dia, às vezes, começa pelas 6 horas e termina só de noite. Claro, tratar os animais é a prioridade do dia, até vem antes do café da manhã. Depois da refeição, Rofino e o filho pegam o caminho da roça.
Não trocariam
Apesar de ser uma rotina exaustiva, os dois não trocariam essa vida por nada. Lúcia garante que assim eles têm mais liberdade e que o marido não se acostumou a trabalhar em uma fábrica. “Se eu não pudesse viver mais da roça, eu não ia trabalhar em uma empresa mais. E depois, outra, no campo, hoje você está aqui, amanhã está lá. E assim você vai indo, né? Que nem plantamos pela redondeza, lá na Estrada Pessegueiro, lá no Paraná, então, hoje, você está aqui, amanhã está lá”, comenta Rofino.
Sem contar que o casal sabe o que produz e o que coloca na mesa. São poucos os alimentos que compram no supermercado e, nos domingos, a casa está cheia, com a família reunida e com os netos correndo pelo quintal.
Depois de anos juntos, o casal deixa um recado, que seguiram em todos os momentos da vida conjugal: embora haja dificuldades, ou o vento batendo nas paredes, “não pode dar o passo maior do que as pernas” e, aos poucos, ir conquistando o necessário.
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