7 fatores que podem afetar a qualidade do sono e a saúde

Priorizar o descanso é uma das formas mais eficazes de garantir o bom funcionamento de todos os sistemas do organismo

• Atualizado 1 meses atrás.

Mulher sentada, com a mão apoiada na testa e os olhos fechados, com a ilustração de uma mancha vermelha na cabeça
A enxaqueca tem uma relação profunda com a insônia (Imagem: giggsy25 | Shutterstock)

Uma boa noite de sono é fundamental para manter o equilíbrio do corpo e da mente. Durante o descanso, o organismo realiza processos importantes de recuperação, como a regeneração celular, o fortalecimento do sistema imunológico e a regulação de hormônios. Dormir bem também auxilia na prevenção de doenças cardiovasculares, no controle do peso e na melhora da memória e do humor.

“Prezar por dormir a quantidade adequada, na hora adequada, sempre lembrando de se manter a regularidade nos horários de dormir e acordar, melhoram em muita nossa produtividade física, mental e emocional, prevenindo também uma série de doenças”, explica o otorrinolaringologista Dr. Paulo Reis, especialista em Medicina do Sono e coordenador científico do grupo Bonviv Brasil.

Abaixo, 7 fatores que podem afetar a qualidade do sono e a saúde!

1. A necessidade de sono é individual

É preciso ter cuidado com a afirmação de que o tempo de sono necessário é sempre de oito horas. “Na verdade, nós temos uma necessidade de sono individual. Costumo dizer que a quantidade de sono necessária é como a quantidade de calorias que precisamos ingerir para viver. Alguns precisam de mais, outros de menos”, explica o Dr. Paulo Reis.

Segundo ele, o corpo sabe o que cada pessoa precisa exatamente. “Oito horas é a quantidade que a maioria da população precisa, em média, mas existem pessoas que precisam de mais ou menos. Adolescentes e gestantes, por exemplo, tendem a ter uma necessidade de sono maior em relação ao seu parâmetro habitual. É como se você gastasse 2000 calorias normalmente e, ao iniciar uma atividade física mais intensa, seu corpo passasse a pedir mais”, exemplifica.

2. Qualidade é tão importante quanto a quantidade

Não basta simplesmente dormir a noite inteira para ter um sono de qualidade. “As pessoas muitas vezes têm a percepção equivocada de que dormir muito ou dormir a noite inteira é sinônimo de ter dormido bem. E isso nem sempre é verdade. Se você dormiu um sono mais superficial ou fragmentado, por exemplo, terá um sono de qualidade ruim, apesar de ter dormido a noite toda”, ressalta o Dr. Paulo Reis.

Conforme o médico, problemas como o ronco e a apneia do sono são comuns e podem prejudicar a qualidade do descanso. “E muitas vezes são condições desconhecidas ou negligenciadas”, alerta. Segundo ele, um sono de qualidade inclui variáveis, como continuidade durante a noite (sono contínuo com poucos despertares e interrupções), estágios normais de sono (do mais leve ao mais profundo e ao REM) em proporções adequadas e regularidade nos horários de dormir e acordar de acordo com as individualidades de cada pessoa.

3. Qualidade de sono ruim pode ser sinal de síndrome comum

Dificuldade para dormir, péssima qualidade de sono e cansaço, assim como aflição, dor e formigamento nas pernas e braços, são sintomas da Síndrome das Pernas Inquietas (SPI), que afeta de 5 a 10% da população em algum momento da vida.

“Nessa condição, a pessoa tem uma vontade incontrolável de mexer as pernas e acaba movendo involuntariamente. Normalmente esse movimento ocorre quando a pessoa está dormindo, atrapalhando a qualidade do sono”, alerta a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Aproximadamente 30% dos casos de SPI têm causa hereditária. No restante, não existe causa conhecida. “Quando a síndrome tem predisposição genética, frequentemente os sintomas são mais severos e mais difíceis de responder ao tratamento. Um primeiro passo é determinar se condições relacionadas (como deficiência de ferro, diabetes, artrite, uso de antidepressivos) estão contribuindo. Mas há pacientes que persistem com o distúrbio mesmo após o tratamento dessas condições”, diz a médica.

Segundo ela, atitudes como banho quente, massagens nas pernas, aplicação de calor, bolsa de gelo, analgésicos, exercícios físicos regulares e eliminação da cafeína podem aliviar os sintomas. “Mas quando essas medidas não são suficientes, a SPI pode ser tratada com medicamentos que aumentam dopamina no cérebro, drogas que mexem nos canais de cálcio, opioides e benzodiazepinas. Vale ressaltar, no entanto, que a SPI pode surgir e desaparecer ao longo dos anos sem uma causa óbvia”, acrescenta.

Mulher sentada, com a mão apoiada na testa e os olhos fechados, com a ilustração de uma mancha vermelha na cabeça
A enxaqueca tem uma relação profunda com a insônia (Imagem: giggsy25 | Shutterstock)

4. Sono e enxaqueca possuem uma relação profunda e intrincada

Segundo o neurologista Dr. Tiago de Paula, membro da International Headache Society (IHS) e da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC), em muitos pacientes, as crises de enxaqueca prejudicam severamente as noites de sono.

“As dores e a ansiedade geradas pela enxaqueca causam insônia e despertares frequentes durante a noite. Além disso, durante a crise ocorrem alterações químicas no cérebro, com mudanças nos níveis de neurotransmissores, assim quebrando o padrão normal do sono e prejudicando a recuperação”, diz.

De acordo com ele, esse processo acaba resultando em um ciclo vicioso. “E dormir pouco eleva a excitabilidade do sistema nervoso. E sabemos que enxaqueca é uma doença relacionada à hiperexcitabilidade cerebral. Então dormir mal é um gatilho para as crises, que também são mais fortes, pois a privação do sono aumenta a sensibilidade à dor”, acrescenta.

Então, para voltar a ter boas noites de sono e controlar as crises, o mais importante é buscar um especialista para tratar a enxaqueca, o que envolve principalmente mudanças no estilo de vida somadas às terapias de primeira linha com eficácia comprovada, como a aplicação de toxina botulínica em pontos específicos, para reduzir a sensibilidade à dor, e o uso de medicamentos monoclonais Anti-CGRP, que bloqueiam substâncias ligadas à inflamação e transmissão da dor.

“Embora não tenha cura, a enxaqueca pode ser controlada com eficácia. E quando o tratamento é feito corretamente, todos os gatilhos perdem a força”, explica o Dr. Tiago de Paula.

5. Dificuldade para dormir aumenta na menopausa

A insônia é altamente prevalente e impacta significativamente a qualidade de vida de mulheres na menopausa. “Os distúrbios do sono estão frequentemente associados às flutuações hormonais e aos sintomas vasomotores (como ondas de calor e suores noturnos) associados à menopausa. Além disso, uso de psicotrópicos, obesidade, outras comorbidades e a não realização de terapia hormonal também têm relação com o problema”, explica a Dra. Ana Paula Fabricio, ginecologista com Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO).

Além de impactar a qualidade de vida, deixando a mulher menos produtiva e mais cansada durante o dia, esse problema também está associado a um risco aumentado de problemas cardiovasculares e mortalidade. “Sabemos que a terapia hormonal pode melhorar a questão dos sintomas vasomotores e também melhorar a qualidade do sono. Além disso, abordagens como terapia cognitivo-comportamental para insônia e modificações no estilo de vida também são fundamentais”, destaca a médica.

6. Zumbidos no ouvido podem acabar com seu sono

Algumas pessoas experienciam zumbidos no ouvido, principalmente após a exposição prolongada a sons muito altos. Embora em muitos casos esse problema seja temporário, sumindo em algumas horas ou dias, pode prejudicar o sono e a recuperação, principalmente porque, no silêncio da noite, o som parece mais alto, segundo o Dr. Paulo Reis.

“Para dormir com o zumbido, use um ruído de fundo (ventilador, ruídos brancos, barulho de chuva) ou uma música baixa”, aconselha o profissional, acrescentando: “Se o zumbido surgiu após a exposição a sons altos, faça um ‘detox sonoro’ por 24-48h, evitando som alto, principalmente com fone”. No entanto, se o zumbido for persistente, é fundamental buscar um especialista para verificar o problema e receber o tratamento adequado.

7. Comer demais antes de dormir pode fazer mal

Dificuldade para dormir, exaustão e problemas estomacais podem surgir quando comemos demais próximo à hora de dormir. Isso ocorre porque, segundo a Dra. Deborah Beranger, endocrinologista com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ), esse hábito envia sinais confusos ao corpo.

“O fígado, por exemplo, é extremamente afinado para determinar quando acelerar o metabolismo com base em quando você come. Então, fica fácil entender que, se você fizer isso no meio da noite, o fígado receberá sinais contraditórios do cérebro, que está dizendo para descansar, e enviará sinais conflitantes de volta ao cérebro e a outros sistemas orgânicos. Assim, além da comida ser processada com menos eficiência, o sono é prejudicado”, diz a médica.

Para evitar ou minimizar os desconfortos, o ideal é realizar a última refeição pelo menos duas horas antes de deitar para dormir. “Evite também refeições muito pesadas pouco antes de dormir e a desidratação, que também pode levar a desconforto durante a noite, enquanto a ingestão excessiva de líquidos antes de dormir pode causar interrupções frequentes para ir ao banheiro”, finaliza a Dra. Marcella Garcez, nutróloga e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia.

Por Pedro Del Claro

Últimas notícias

Ilustração do signo de Capricórnio em um fundo verde
Ilustração do signo de Áries em amarelo em um fundo preto
morterodovia2
cenas-de-sexo-explicito-e-automutilacao-com-criancas-ao-vivo-expoem-crime-grave-em-sc
jaguaratica

Mais lidas

Komprão Oxford - Chris (3)
grave acidente (2)
Acidente rio vermelho povoado
WhatsApp Image 2025-11-21 at 17.08
AULAS - Cristiano Estrela Divulgação

Notícias relacionadas